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Justiça de SC marca júri popular de mulher acusada de matar o marido e esconder corpo em freezer


A Justiça de Santa Catarina marcou para o dia 28 de agosto de 2025 o julgamento de Cláudia Fernanda Tavares, acusada de assassinar o marido e ocultar o corpo dentro de um freezer, em um crime que chocou o município de Lacerdópolis, no Meio-Oeste do estado, em novembro de 2022.

O júri será realizado na Câmara Municipal de Capinzal, com início previsto para as 9h da manhã. O sorteio dos jurados que irão compor o Conselho de Sentença está programado para 7 de agosto, conforme o rito do Tribunal do Júri.

Investigação e denúncia

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), familiares e vizinhos da vítima passaram a desconfiar do comportamento de Cláudia durante o período em que o homem era considerado desaparecido. O filho do falecido relatou que a madrasta vigiava o freezer de maneira insistente, o que levantou suspeitas.

Vizinhos notaram ainda que o eletrodoméstico, que estava vazio no domingo, apareceu cheio na terça-feira. Um morador da vizinhança tentou verificar o conteúdo, mas foi impedido por Cláudia.

A descoberta do corpo ocorreu após esse mesmo vizinho relatar o caso a um policial militar, que acionou a Polícia Civil. Com autorização, os agentes entraram na residência e encontraram o corpo da vítima enrolado em um pano dentro do freezer.

Confissão e alegações

Durante o interrogatório, Cláudia confessou o crime, afirmando que matou o marido após uma discussão. Segundo ela, era vítima de violência doméstica, incluindo agressões físicas e ameaças. A mulher também relatou que o companheiro era ciumento e possessivo, além de impedir que ela trabalhasse.

A versão foi corroborada por testemunhas. A filha do casal confirmou episódios anteriores de agressão, e uma amiga de Cláudia afirmou tê-la acolhido em 2019, quando ela apresentava lesões e hematomas.

Prisão e liberdade provisória

Após a denúncia, Cláudia foi presa preventivamente no Presídio Regional Feminino de Chapecó. Um pedido de habeas corpus foi negado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). No entanto, meses depois, a 1ª Câmara Criminal do TJSC concedeu a liberdade provisória mediante medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias e comparecimento mensal ao fórum.

Durante esse período, segundo a defesa, Cláudia cumpriu todas as obrigações impostas pela Justiça. Mesmo assim, o MPSC recorreu da decisão e o caso foi levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O STJ acatou o recurso e determinou a volta da acusada à prisão, argumentando que as medidas cautelares eram insuficientes diante da gravidade do crime e que era necessário preservar a ordem pública.

Acusações

Cláudia Fernanda Tavares responde por homicídio duplamente qualificado — por asfixia e por ter utilizado um recurso que impediu a defesa da vítima — além de ocultação de cadáver e falsidade ideológica.

A defesa da ré ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

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