5/30/2026 04:12:00 AM

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta sexta-feira (29) a retomada imediata das atividades da fábrica da Química Amparo, responsável pela marca Ypê, localizada no interior de São Paulo. A decisão também libera a comercialização e o uso de determinados produtos fabricados a partir de abril de 2026.
De acordo com a agência, estão liberados para venda e utilização os detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes identificados com final de lote “1”, desde que tenham sido produzidos a partir de 1º de abril deste ano.
A autorização foi concedida após uma nova inspeção realizada entre quinta-feira (28) e sexta-feira (29). A fiscalização contou com a participação da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), do Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas (GVS) e da Vigilância Sanitária de Amparo.
Durante a vistoria, os órgãos avaliaram as medidas corretivas implementadas pela empresa após a suspensão de duas linhas de produção da unidade, determinada em maio deste ano. Segundo a Anvisa, a fabricante apresentou ações para atender às exigências sanitárias identificadas em inspeções anteriores.
O presidente da agência, Leandro Safatle, afirmou que a unidade reúne atualmente as condições necessárias para operar de forma segura, sem oferecer riscos à saúde dos consumidores.
Produtos ainda permanecem suspensos
Apesar da retomada das operações e da liberação parcial dos produtos, parte dos itens continua proibida para comercialização, distribuição e uso.A restrição segue válida para detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca Ypê com lote final “1” fabricados até 31 de março de 2026. Esses produtos permanecem sob as determinações da Resolução RE 1.834/2026.
A Anvisa orienta que os consumidores mantenham os produtos armazenados em local seguro e não realizem o descarte até novas orientações. A liberação dos itens suspensos deverá ocorrer gradualmente, conforme a apresentação de laudos emitidos por laboratórios autorizados pela agência.
Em comunicado, a Ypê informou que consumidores que possuam produtos ainda suspensos podem optar pela troca ou solicitar ressarcimento por meio dos canais oficiais de atendimento da empresa.
Correções marcaram anúncio da decisão
A divulgação da decisão foi acompanhada por sucessivas atualizações por parte da Anvisa.A primeira nota oficial, publicada às 17h21, indicava a liberação parcial dos produtos. Pouco depois, às 18h18, a agência corrigiu a informação e informou que apenas a fábrica estava autorizada a retomar as operações, enquanto todos os produtos com final de lote “1” continuariam suspensos.
Mais tarde, às 20h52, um novo comunicado foi publicado restabelecendo a liberação dos itens fabricados a partir de abril. A Anvisa explicou que a alteração ocorreu devido à necessidade de complementação de informações técnicas que não haviam sido incluídas na primeira versão do texto.
Com isso, ficou definido que os produtos com final de lote “1” fabricados a partir de 1º de abril de 2026 estão liberados para venda e uso, enquanto aqueles produzidos até 31 de março permanecem bloqueados.
Relembre o caso
A crise envolvendo a Ypê começou em 7 de maio, quando a Anvisa determinou a suspensão de mais de 100 lotes de detergentes, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da marca, todos identificados com numeração final “1”.A medida foi adotada após uma inspeção realizada no final de abril apontar 76 irregularidades em etapas consideradas críticas do processo produtivo, levantando preocupações sobre possíveis riscos de contaminação microbiológica.
O caso teve como antecedente um episódio registrado pela própria fabricante em novembro de 2025, quando foi identificada contaminação microbiológica pela bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da linha de lava-roupas, resultando no recolhimento de unidades do mercado.
Além disso, em outubro de 2025, a Unilever apresentou denúncias à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), acompanhadas de laudos que apontavam a presença da mesma bactéria em produtos da linha Tixan Ypê.
No dia seguinte à suspensão dos lotes, a empresa apresentou recurso administrativo, o que interrompeu temporariamente a aplicação das penalidades até a análise definitiva do processo.
A Ypê sustenta que seus produtos são seguros para consumo e afirma ter colaborado integralmente com as autoridades sanitárias, implementando mais de 230 ações corretivas para atender às exigências dos órgãos reguladores.
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