5/28/2026 12:31:00 PM

O Festival de Tribeca confirmou a estreia mundial de “Dreams of Violets”, longa-metragem gerado por inteligência artificial que será exibido no dia 10 de junho, durante a 25ª edição do evento, em Nova York.
Produzido pela Fountain 0, o projeto é apontado como o primeiro filme live-action totalmente criado com IA a integrar a programação oficial de um grande festival internacional de cinema.
Com direção do cineasta iraniano Ash Koosha, a produção mistura documentário e drama em uma narrativa de 75 minutos inspirada nos protestos que ocorreram em Teerã no início deste ano.
A história acompanha cinco iranianos reunidos em um beco pouco antes de serem executados, enquanto são observados por Amir, um garoto de 10 anos com paralisia cerebral. O enredo faz referência aos confrontos entre civis e forças de segurança iranianas, que, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, deixaram milhares de mortos e dezenas de milhares de presos.
Em nota oficial, Jane Rosenthal, cofundadora do Festival de Tribeca, afirmou que o filme chamou atenção não apenas pelo uso inovador da tecnologia, mas também pela força política e emocional da narrativa.
“Em um momento em que tanto a inteligência artificial quanto o Irã estão no centro das discussões globais, o filme oferece uma visão íntima de um conflito que muitas pessoas não conseguiram compreender completamente”, declarou.
Natural de Teerã e atualmente residente em Londres, Ash Koosha revelou que iniciou o projeto logo após o anúncio dos massacres. Sem acesso a equipes de produção, atores ou ao território iraniano, o diretor utilizou ferramentas de IA para desenvolver o longa a partir de casa.
Segundo o cineasta, a produção custou cerca de US$ 2 mil — aproximadamente R$ 10 mil — e foi concluída em três meses.
Para criar o filme, Koosha utilizou diferentes plataformas de inteligência artificial, incluindo Kling AI para geração de vídeo, Claude AI para ajustes de linguagem e os sistemas Gemini e Nanobanana, do Google, voltados para pesquisa e criação de imagens. A Fountain 0 também desenvolveu tecnologia própria para aprimorar a precisão visual das cenas.
O diretor também comentou as discussões éticas envolvendo o uso de IA em histórias baseadas em eventos reais.
“Entendo que um filme gerado por IA sobre pessoas que realmente morreram levanta questões difíceis. Pensei nisso todos os dias durante a produção. Mas acredito que o silêncio e o esquecimento seriam ainda piores”, afirmou.
Nos últimos anos, festivais de cinema têm mantido produções feitas com inteligência artificial fora das principais competições. Recentemente, o Festival de Cannes exibiu o longa “Hell Grind”, criado pela startup Higgsfield AI, apenas na seção Marché du Film, dedicada ao mercado audiovisual.
Em 2025, o Festival de Varsóvia também recebeu a estreia internacional do documentário “Post Truth”, outra produção desenvolvida com inteligência artificial.
A edição de 2026 do Festival de Tribeca será realizada entre os dias 3 e 14 de junho.
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