5/29/2026 11:11:00 AM

A Justiça dos Estados Unidos determinou, de forma provisória, a suspensão da criação de um fundo estimado em cerca de US$ 1,8 bilhão pelo governo do presidente Donald Trump. A iniciativa tinha como objetivo indenizar pessoas que alegam ter sido alvo do que o ex-presidente classificou como “instrumentalização” do governo.
Na decisão emitida nesta sexta-feira (29), a juíza distrital Leonie Brinkema, da Corte do Distrito Leste da Virgínia, proibiu a Casa Branca de adotar novas medidas para instituir ou administrar o fundo até que os argumentos jurídicos do caso sejam analisados com mais profundidade.
A medida judicial foi tomada 11 dias após o anúncio do governo sobre a criação do chamado “Anti-Weaponization Fund”, que prevê recursos equivalentes a mais de R$ 9,1 bilhões destinados a possíveis compensações financeiras para pessoas que afirmam ter sido alvo de investigações ou ações judiciais por motivações políticas nos Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Justiça, o fundo faz parte de um acordo que encerrou uma ação de US$ 10 bilhões movida por Trump contra a Receita Federal americana (IRS), relacionada ao vazamento de suas declarações de imposto de renda durante seu mandato.
O entendimento também levou o governo a encerrar auditorias e cobranças vinculadas a investigações fiscais envolvendo Trump, familiares e empresas ligadas ao seu grupo empresarial. Além disso, prevê um pedido formal de desculpas ao ex-presidente.
De acordo com o procurador-geral interino Todd Blanche, o mecanismo criaria um procedimento para que indivíduos que se consideram vítimas de perseguição política possam solicitar reparação financeira.
O financiamento viria de uma reserva federal utilizada para indenizações e acordos judiciais do governo dos Estados Unidos. O programa permitiria analisar denúncias, emitir pedidos de desculpas e autorizar pagamentos a quem tivesse seus pedidos aprovados.
Uma comissão formada por cinco integrantes, nomeados por Blanche, ficaria responsável por avaliar os pedidos, com possibilidade de substituição de membros por decisão presidencial. A previsão é de que o programa funcione até dezembro de 2028.
Até o momento, o governo não divulgou nomes de possíveis beneficiários nem critérios detalhados para a concessão das indenizações.
Entre os casos mencionados por analistas estão investigações envolvendo aliados de Trump durante a gestão do ex-presidente Joe Biden, incluindo processos relacionados aos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Mais de 1.500 pessoas foram acusadas por participação no episódio. Questionado sobre a possibilidade de envolvidos receberem pagamentos, Trump afirmou que a decisão caberá ao comitê responsável pelo fundo.
Entre os nomes citados como potenciais solicitantes estão o ex-estrategista Steve Bannon e o ex-assessor Peter Navarro, ambos condenados por desacato ao Congresso e que negam irregularidades.
Críticas ao fundo
O projeto passou a ser alvo de críticas de parlamentares democratas e organizações de transparência, que alegam risco de uso político dos recursos públicos em benefício de aliados do presidente.A deputada Jamie Raskin, membro de destaque do Comitê Judiciário da Câmara, afirmou que a proposta pode criar um “fundo político” financiado com dinheiro dos contribuintes.
Já a senadora Elizabeth Warren classificou a iniciativa como um caso de “corrupção em nível extremo” e apresentou um projeto de lei para impedir que presidentes possam se beneficiar financeiramente de acordos envolvendo o governo.
Por outro lado, o governo Trump defende que o fundo tem como objetivo reparar o que considera ter sido uso político do Departamento de Justiça durante a administração anterior, sob Joe Biden.
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