5/28/2026 11:31:00 AM

O Irã lançou ataques contra uma base aérea dos Estados Unidos no Kuwait durante a madrugada desta quinta-feira (28), de acordo com informações divulgadas pelo Comando Central das Forças Armadas americanas (CENTCOM). A ofensiva aumentou a tensão no Oriente Médio em meio às negociações frágeis para manter o cessar-fogo entre Washington e Teerã.
Segundo autoridades americanas, as forças dos EUA interceptaram cinco drones iranianos e destruíram uma estação de controle terrestre localizada em Bandar Abbas, cidade portuária iraniana próxima ao Estreito de Ormuz. O alvo, de acordo com o Pentágono, estaria prestes a lançar um sexto drone contra posições americanas.
O Kuwait informou ainda que suas defesas aéreas interceptaram um míssil balístico disparado em direção ao território kuwaitiano, onde está localizada uma das principais bases militares dos Estados Unidos na região.
Um oficial americano, ouvido pela agência Reuters sob condição de anonimato, afirmou que as ações militares foram “puramente defensivas” e tinham como objetivo preservar o cessar-fogo em vigor desde abril.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã declarou ter atacado a base americana responsável por uma operação realizada anteriormente nas proximidades do aeroporto de Bandar Abbas. O grupo afirmou que qualquer novo ataque receberá uma “resposta mais decisiva”.
O governo do Kuwait condenou a ofensiva iraniana e classificou o episódio como uma grave escalada militar no Golfo.
O novo confronto ocorre durante o feriado muçulmano de Eid al-Adha e marca o segundo episódio de violência registrado nesta semana. O conflito regional ganhou força após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos em 28 de fevereiro.
No Líbano, Israel informou ter iniciado bombardeios contra estruturas do Hezbollah na cidade de Tiro e também confirmou um ataque em Beirute. O Exército libanês afirmou que um de seus soldados morreu durante as ações militares.
Israel também relatou o acionamento de sirenes de alerta aéreo no norte do país, em meio ao avanço das operações militares contra integrantes do Hezbollah apoiados pelo Irã.
A instabilidade provocou impacto imediato nos mercados internacionais. Os contratos futuros do petróleo nos Estados Unidos subiram cerca de 3% após a queda registrada no dia anterior, enquanto bolsas de valores recuaram e o dólar avançou diante da preocupação dos investidores com a possibilidade de ampliação do conflito.
As tensões também aumentaram em torno do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica para o transporte global de petróleo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda não está satisfeito com as negociações envolvendo Teerã e descartou qualquer discussão sobre alívio de sanções econômicas ao Irã. O republicano também rejeitou informações divulgadas pela TV estatal iraniana sobre um suposto acordo preliminar envolvendo a administração conjunta da navegação no Estreito de Ormuz entre Irã e Omã.
“Ninguém vai controlar o estreito. São águas internacionais”, afirmou Trump durante reunião de gabinete na quarta-feira (27).
Omã, aliado histórico dos Estados Unidos no Golfo, não comentou oficialmente as declarações do presidente americano. Já o governo iraniano demonstrou apoio ao país árabe após o que classificou como “ameaças” feitas por autoridades americanas.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou continuar controlando o tráfego na região e declarou ter interceptado duas embarcações nas últimas 24 horas, além de permitir a passagem de outros 26 navios.
O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou em mensagem enviada ao Parlamento que o país saiu “fortalecido” do conflito e pediu unidade nacional diante da crise econômica e das sanções internacionais.
Autoridades iranianas seguem exigindo o desbloqueio de fundos do país e o fim das restrições impostas pelos Estados Unidos. Washington, no entanto, anunciou nesta semana a ampliação das sanções contra entidades ligadas à administração do Estreito do Golfo Pérsico.
A Casa Branca negou informações da mídia estatal iraniana sobre uma possível retirada de forças militares americanas da região e classificou as reportagens como “completa invenção”.
As negociações entre os dois países devem continuar nas próximas semanas, incluindo discussões sobre o programa nuclear iraniano. O governo do Irã afirma que suas atividades nucleares têm fins pacíficos, enquanto Washington insiste que Teerã não poderá desenvolver armas nucleares.
“O Irã jamais terá uma arma nuclear”, declarou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
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