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Autora de ‘Persépolis’, Marjane Satrapi morre aos 56 anos


A autora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, reconhecida internacionalmente pela obra Persépolis, morreu aos 56 anos. A informação foi confirmada por familiares nesta quinta-feira (4).

De acordo com um comunicado divulgado pela família, Satrapi faleceu pouco mais de um ano após a morte de seu marido, o produtor e ator Mattias Ripa, ocorrida em abril de 2025. Os familiares afirmaram que a artista enfrentava um profundo período de luto desde a perda do companheiro, com quem compartilhou parte de sua vida em Paris.

Nascida em Rasht, em 22 de novembro de 1969, Satrapi tornou-se uma das vozes mais influentes da cultura contemporânea ao retratar, em seus trabalhos, a realidade política e social do Irã. Crítica do regime teocrático iraniano, ela se mudou para a França em 1994 e obteve a cidadania francesa em 2006.

Sua obra mais conhecida, Persépolis, foi adaptada para o cinema pela própria autora em parceria com Vincent Paronnaud. O longa de animação conquistou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Animação em 2008.

Ao receber o reconhecimento internacional pela obra, Satrapi dedicou a conquista ao povo iraniano, destacando o caráter universal da história retratada em Persépolis.

Em entrevistas ao longo da carreira, a autora explicou que encontrou nos quadrinhos a melhor forma de compartilhar sua experiência pessoal e retratar acontecimentos marcantes de seu país. Para ela, a linguagem visual permitia transformar memórias individuais em narrativas capazes de dialogar com leitores de diferentes culturas.

A morte da artista gerou homenagens de diversas personalidades. O presidente da França, Emmanuel Macron, destacou a capacidade de Satrapi de transformar sua infância no Irã em uma obra de alcance universal. Já Thierry Frémaux afirmou que a autora representava, ao mesmo tempo, a alegria da criação artística e as dores do exílio.

Considerada uma das principais artistas franco-iranianas de sua geração, Marjane Satrapi deixa um legado marcado pela defesa da liberdade de expressão, pela valorização da memória e pelo diálogo entre diferentes culturas.

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