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Bilionário chinês é condenado a 30 anos de prisão nos EUA por fraude financeira em esquema com ex-estrategista de Trump

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Um bilionário chinês que vivia fora do país e já esteve entre os mais ricos da China foi condenado na segunda-feira (29), nos Estados Unidos, a 30 anos de prisão por envolvimento em um esquema de fraude financeira.

Guo Wengui deixou a China há cerca de dez anos e passou a viver em território norte-americano, onde se apresentou como crítico do Partido Comunista Chinês liderado por Xi Jinping. Ele foi considerado culpado por fraudes de grande escala que atingiram mais de mil pessoas e financiou um estilo de vida marcado por luxo com parte dos valores obtidos, segundo a juíza Analisa Torres, que afirmou que Wengui “explorou aqueles que buscavam levar a democracia à China”.

O ex-bilionário foi condenado em nove das 12 acusações criminais às quais respondia. A acusação pedia pena de 30 anos de prisão, alegando que o esquema fraudulento ocorreu entre 2018 e 2023 e teve proporções significativas. Além da pena, a Justiça determinou que ele pague US$ 889 milhões (cerca de R$ 4,6 bilhões) em indenizações às vítimas.

Wengui está detido preventivamente nos Estados Unidos desde março de 2023. Antes da prisão, ele se aproximou do estrategista político conservador Steve Bannon, com quem lançou, em 2020, uma iniciativa que dizia ter como objetivo a derrubada do governo chinês.

De acordo com os promotores, o empresário teria convencido centenas de milhares de investidores a aplicar mais de US$ 1 bilhão em entidades sob seu controle. Os recursos obtidos, segundo a acusação, foram usados para manter um padrão de vida extravagante, incluindo mansões, iates, carros de corrida, roupas de luxo e móveis caros. Ele chegou a viver em um apartamento de alto padrão em Nova York e teve ligação com o clube de golfe Mar-a-Lago, na Flórida, associado ao então presidente Donald Trump.

Durante a leitura da sentença, a juíza destacou cartas enviadas por vítimas que relataram perdas financeiras severas, incluindo economias de toda a vida, além de impactos emocionais como ansiedade, vergonha e conflitos familiares.

A defesa de Wengui afirmou que ele seria alvo de uma perseguição “ampla, constante e potencialmente fatal” por parte do Partido Comunista Chinês, sustentando que sua fortuna teria origem legítima antes e depois de sua chegada aos Estados Unidos e durante sua parceria com Bannon. Os advogados também alegaram que o governo chinês teria recrutado influências em setores empresariais, políticos e culturais dos EUA para agir contra ele.

Antes da sentença, o empresário protestou contra as condições de sua prisão, afirmando ter sido levado ao hospital naquela mesma manhã com episódios de vômito. Em sua breve fala, declarou que tinha como objetivo “destruir o Partido Comunista Chinês”.

O Ministério das Relações Exteriores da China informou que tomou conhecimento da decisão e afirmou que Guo é procurado pelas autoridades chinesas, com alerta vermelho da Interpol ativo, solicitando sua detenção para possível extradição.

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