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Cessar-fogo no Líbano é mantido, mas há receio de colapso

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O cessar-fogo no Líbano teve ampla adesão nesta segunda-feira (22), marcando o período mais prolongado de trégua desde o início dos três meses de confrontos entre o Hezbollah e Israel. Ainda assim, o receio de uma possível retomada dos combates tem mantido parte da população deslocada longe de suas casas.

Segundo uma autoridade sênior da segurança libanesa, o cumprimento do acordo foi “quase total” desde a noite de sábado. No entanto, houve registros de incidentes pontuais, incluindo disparos de projéteis por um tanque israelense contra uma vila próxima a Tiro, além do lançamento de granadas de efeito sonoro em duas outras áreas na segunda-feira. Um drone israelense também foi visto sobrevoando Beirute.

O conflito também afetou negociações diplomáticas mais amplas na região, envolvendo Estados Unidos e Irã. Teerã chegou a afirmar no fim de semana que havia voltado a fechar o Estreito de Ormuz, alegando que os EUA não cumpriram o compromisso de interromper os combates no Líbano.

Por outro lado, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, que chefiou a delegação de Washington na primeira rodada de negociações com o Irã voltadas a um acordo de paz mais duradouro, declarou que houve progressos para encerrar as hostilidades no Líbano e afirmou que o estreito permanece aberto. Ele também destacou que a situação ainda está em evolução.

O médico Hassan Wazni, diretor de um hospital em Nabatieh, no sul do país — uma das áreas mais atingidas pelos bombardeios — afirmou que a calmaria tem se mantido desde a noite de sábado (20).

“Estou acompanhando a situação dia a dia e, na maior parte do tempo, durmo no hospital. Este é o cessar-fogo que já durou mais tempo”, disse ele à Reuters por telefone.

Apesar disso, ele relatou que o retorno das famílias ainda é lento e cercado de cautela. Segundo ele, um cessar-fogo anunciado na sexta-feira (19) havia colapsado rapidamente, após ataques israelenses que deixaram 20 mortos no sábado, de acordo com a defesa civil libanesa.

“As pessoas ainda estão inquietas”, disse Wazni.

O conselho municipal de Zawtar El Charqiyeh publicou um comunicado nas redes sociais orientando moradores a não retornarem à vila até que haja condições seguras.

As forças israelenses seguem posicionadas em partes do sul do Líbano, em uma área de segurança autodeclarada, onde têm demolido localidades sob a justificativa de presença do Hezbollah em zonas civis.

Em meio a uma redução das tensões, o Exército de Israel anunciou a suspensão de restrições de segurança em oito comunidades próximas à fronteira com o Líbano a partir das 6h desta segunda-feira.

Mesmo assim, há desconfiança entre moradores da região. “O cessar-fogo é frágil porque, em primeiro lugar, estamos lidando com uma organização terrorista”, disse a moradora local Miry Menashe, de 41 anos, na comunidade israelense de Metula, na fronteira com o Líbano.

“Não estamos lidando com o próprio país do Líbano. Então, para ser sincera, não tenho confiança neles. Portanto, com cessar-fogo ou não, continuamos muito alertas e prontos para qualquer coisa”, disse ela.

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