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Chanceler israelense rompe contatos com chefe da diplomacia da União Europeia

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O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou nesta quinta-feira (18) a suspensão de todos os contatos com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. A decisão foi tomada após declarações atribuídas à representante europeia que, segundo o governo israelense, comparariam Israel ao regime de apartheid que vigorou na África do Sul.

Em publicação nas redes sociais, Saar afirmou que Kallas teria feito a comparação durante uma visita ao México realizada no mês passado. Segundo ele, a medida permanecerá em vigor até que a autoridade europeia se retrate.

A controvérsia ganhou força após a divulgação de uma reportagem do site Euractiv. O texto citava autoridades e diplomatas, sem identificá-los, afirmando que Kallas teria comparado o tratamento dado por Israel aos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza às políticas adotadas pela África do Sul durante o período do apartheid.

Ao comentar o caso na rede social X, Kallas respondeu ao chanceler israelense sem abordar diretamente as declarações que lhe foram atribuídas.

“Caro Gideon, como você sabe, a UE e Israel têm muitos laços em comum”, disse ela. “Prezo o nosso diálogo e o nosso envolvimento, e estou aberta a continuar nesse espírito, de forma respeitosa e construtiva. O diálogo é a base da diplomacia, especialmente quando surgem divergências. A UE está sempre empenhada numa relação construtiva com Israel”, acrescentou Kallas.

Nos últimos meses, a União Europeia tem mantido críticas à ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Grande parte da comunidade internacional considera essas áreas ilegais sob o direito internacional e um entrave para uma solução negociada do conflito israelo-palestino.

Em maio, o bloco europeu anunciou sanções contra três indivíduos e quatro entidades acusados de serem responsáveis por “violações graves e sistemáticas dos direitos humanos contra os palestinos na Cisjordânia”. Na ocasião, Saar declarou que Israel rejeitava de forma veemente a decisão.

A atuação de Israel na guerra em Gaza também tem sido alvo de questionamentos por parte da União Europeia. Apesar das críticas, o bloco continua reafirmando o direito israelense à autodefesa. Entre os 27 países-membros, entretanto, não há consenso sobre o tema: enquanto alguns governos adotam posições mais críticas, outros mantêm relações próximas com Israel.

Nesta quinta-feira, Saar voltou a criticar a chefe da diplomacia europeia, acusando-a de “agir de forma obsessiva e com flagrante injustiça em relação ao Estado de Israel”.

Em resposta, Kallas reiterou o posicionamento da União Europeia em defesa da chamada Solução de Dois Estados.

“Para trazer a paz ao Oriente Médio, a Solução de Dois Estados continua sendo o único caminho viável”, afirmou.

“A UE condenou os assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia, que tornam cada vez mais difícil alcançar esse objetivo. Essa é a posição da UE”, disse ela.

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