6/24/2026 08:29:00 AM
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O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reúne-se nesta quarta-feira (24) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em um momento de crescente tensão entre Washington e a aliança militar. O encontro ocorre às vésperas da cúpula da organização marcada para julho, em Ancara, na Turquia, e deve abordar temas como a guerra envolvendo o Irã e a presença militar americana na Europa.
Nos últimos meses, Trump voltou a demonstrar insatisfação com a atuação da Otan. O presidente americano criticou a falta de apoio da aliança à ofensiva conduzida por Washington no Oriente Médio e também à tentativa de garantir a reabertura do Estreito de Ormuz após a interrupção da rota estratégica de petróleo decorrente de uma ação militar conjunta entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, realizada em fevereiro.
As divergências aumentaram após declarações do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que durante uma reunião da Otan acusou alguns aliados de dependerem excessivamente da proteção americana. Na ocasião, ele anunciou uma revisão de seis meses do posicionamento das tropas dos Estados Unidos no continente europeu, medida que poderá resultar na redução do efetivo militar na região.
A iniciativa foi acompanhada por outra decisão de Washington: diminuir parte das capacidades militares disponibilizadas à aliança em cenários de crise. A mudança gerou preocupação entre os países membros, que agora avaliam formas de compensar eventuais lacunas operacionais.
Desde que Trump retornou à Presidência, após vencer as eleições de novembro de 2024, Rutte tem desempenhado papel central na tentativa de preservar a estabilidade da Otan diante das frequentes críticas do líder americano. Entre os episódios recentes esteve a reivindicação de Trump sobre a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca, também integrante da aliança.
Para especialistas, o encontro desta quarta-feira faz parte do esforço para evitar turbulências durante a próxima reunião de líderes da organização.
“Imagino que ele esteja tentando alinhar sua posição com a de Trump para garantir que a cúpula da Otan seja um sucesso — ou, pelo menos, não um desastre total”, disse Stephen Wertheim, pesquisador sênior do Carnegie Endowment for International Peace, um think tank sediado em Washington.
“A cúpula da Otan envolve um risco significativo, pois Trump está irritado e imprevisível; mesmo que Rutte chegue acreditando ter um entendimento com Trump, quem sabe o que pode acontecer duas semanas depois?”, avaliou Wertheim.
Relação delicada
As diferenças entre Trump e a Otan tornaram-se mais evidentes após diversos aliados recusarem apoio à campanha militar americana contra o Irã, conduzida sem consultas prévias à organização. Em resposta, o presidente dos Estados Unidos voltou a questionar publicamente o compromisso do país com o pacto de defesa coletiva da aliança e admitiu considerar uma eventual saída americana.Apesar do cenário de incerteza, Rutte tem buscado manter canais de diálogo abertos. Em entrevista à Fox News na terça-feira (23), o secretário-geral minimizou os episódios em que alguns países restringiram o uso de bases e espaço aéreo para operações ligadas ao conflito.
“Também vamos ampliar o foco para uma perspectiva mais ampla do que ele está fazendo pela Otan”, declarou Rutte, acrescentando que os membros estavam aumentando seus gastos com defesa e que ele divulgaria esses números “enormes” nesta quarta-feira.
Segundo Rutte, os casos de restrição foram “isolados”, destacando que centenas de aeronaves americanas utilizaram instalações militares na Europa para apoiar operações dos Estados Unidos.
Preparação para Ancara
De acordo com a porta-voz da Otan, Allison Hart, a visita faz parte dos preparativos finais para a cúpula dos dias 7 e 8 de julho.A cúpula “concentrar-se-á na forma como os aliados estão cumprindo os compromissos assumidos no ano passado na Cúpula da Otan em Haia, incluindo o aumento do investimento em defesa, a expansão da produção industrial de defesa e a continuidade do apoio à Ucrânia”, disse Hart.
A organização enfrenta um período considerado um dos mais delicados de sua história recente. Entre governos europeus, cresce a preocupação com a possibilidade de uma redução significativa do compromisso militar americano com a segurança do continente.
Durante sua passagem por Washington, Rutte também deverá se reunir com integrantes do Congresso dos Estados Unidos. A visita ocorre em meio ao debate crescente dentro do governo americano sobre o que autoridades classificam como uma dependência excessiva da Europa em relação às forças dos EUA.
Apesar das divergências, Rutte mantém boa interlocução com integrantes do Pentágono. Na semana passada, durante encontro em Bruxelas, Pete Hegseth elogiou a atuação do secretário-geral.
Na última cúpula da Otan, realizada em Haia, os países membros concordaram em ampliar gradualmente seus investimentos em defesa, assumindo a meta de destinar 5% do Produto Interno Bruto ao setor e a áreas relacionadas ao longo da próxima década. Embora algumas nações tenham acelerado esse processo, outras ainda apresentam avanços mais modestos.
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