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A Coreia do Norte colocou oficialmente em serviço nesta terça-feira (23) o maior navio de guerra já construído pelo país. O destróier Choe Hyon, com deslocamento de 5 mil toneladas, foi incorporado à marinha norte-coreana durante uma cerimônia realizada no estaleiro de Nampho, na costa oeste do país.
A nova embarcação é vista por especialistas como um importante passo no esforço de modernização das forças navais de Pyongyang. Analistas avaliam que o navio pode ampliar as capacidades militares do regime e exigir maior atenção de países vizinhos em eventuais cenários de crise.
Durante o evento, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, destacou a importância da incorporação do destróier para a evolução das forças armadas do país.
“Em termos de equipamento militar, a marinha era a mais fraca de todos os ramos de nossas forças armadas. Agora as coisas mudaram claramente”, disse Kim, segundo a agência estatal KCNA.
“A capacidade de combate da nossa marinha crescerá de forma admirável, além da imaginação.”
Por décadas, a marinha norte-coreana permaneceu em desvantagem em comparação com as forças navais da Coreia do Sul e dos Estados Unidos, que contam com destróieres modernos, submarinos avançados e sofisticados sistemas de combate.
Especialistas acreditam que o Choe Hyon poderá operar mísseis antinavio e armamentos destinados a ataques terrestres, embora essas capacidades ainda não tenham sido oficialmente confirmadas.
Para Yu Ji-hoon, pesquisador do Instituto Coreano de Análises de Defesa, o novo destróier representa uma mudança significativa na estratégia naval do país.
“A marinha norte-coreana está se afastando de uma estrutura centrada na defesa costeira para ampliar sua ameaça nuclear e de mísseis ao domínio marítimo”, afirmou.
Segundo Kim Jong Un, o Choe Hyon é apenas o primeiro integrante de uma futura frota modernizada. O líder também indicou que embarcações ainda maiores deverão ser construídas nos próximos anos.
Ao comentar os desafios enfrentados pelo programa naval, Kim admitiu que o processo de expansão não ocorre sem dificuldades.
“A expansão naval não é nada tranquila”, afirmou.
A declaração parece fazer referência ao destróier Kang Kon, navio-irmão do Choe Hyon, que sofreu um acidente durante seu lançamento em maio de 2025 e acabou virando. Após ser recuperado, o navio voltou a flutuar cerca de um mês depois e iniciou testes marítimos neste mês.
Kim informou ainda que a embarcação deverá entrar oficialmente em operação em breve.
“O Kang Kon também será incorporado em breve.”
O líder norte-coreano determinou que os estaleiros do país acelerem a produção naval, com a meta de construir dois novos navios de superfície por ano, incluindo cruzadores com tamanho aproximadamente duas vezes superior ao do Choe Hyon.
Embora Pyongyang afirme que o destróier foi desenvolvido inteiramente com recursos nacionais, especialistas levantam dúvidas sobre a origem da tecnologia empregada.
Para Leif-Eric Easley, professor da Universidade Ewha, em Seul, o ritmo de desenvolvimento observado pode indicar cooperação externa.
“A velocidade e a escala pretendida da expansão naval de Kim Jong Un sugerem que a Coreia do Norte pode estar recebendo assistência significativa de material e tecnologia da Rússia”, afirmou.
Mesmo com os avanços apresentados por Pyongyang, analistas avaliam que a marinha norte-coreana ainda está distante das capacidades operacionais mantidas pela Coreia do Sul e pelos Estados Unidos, que operam dezenas de destróieres equipados com sistemas modernos de defesa e ataque.
Carl Schuster, ex-diretor do Centro Conjunto de Inteligência do Comando do Pacífico dos Estados Unidos, considera que o novo navio não altera significativamente o equilíbrio militar na região.
“Não acho que o Choe Hyon represente diretamente uma nova ameaça à Coreia do Sul”, disse.
“A sobrevivência do navio seria limitada em um conflito”, afirmou.
Apesar disso, Schuster ressaltou que a embarcação deverá ser considerada nos planos estratégicos das forças aliadas.
“Os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul podem ser forçados a ampliar o monitoramento da marinha norte-coreana”, disse.
O especialista observou ainda que a presença de um navio de guerra de grande porte pode criar desafios adicionais para a aplicação das sanções internacionais impostas ao regime norte-coreano.
“Uma escolta de um navio de guerra em uma remessa marítima de armas complica uma operação de interceptação e abordagem”, afirmou Schuster.
Yu Ji-hoon também alertou que o novo destróier não deve ser ignorado por Seul.
“Mesmo que não seja um destróier totalmente moderno, ainda pode representar um peso real para a segurança sul-coreana se for usado como plataforma de lançamento de mísseis ou para escalar crises”, disse.
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