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Entenda o que está por trás do bloqueio da IA Claude pelos Estados Unidos


A Anthropic anunciou nesta sexta-feira (12) a suspensão temporária do acesso a dois de seus modelos mais avançados de inteligência artificial após receber uma determinação do governo dos Estados Unidos baseada em preocupações relacionadas à segurança nacional.

Segundo a empresa, a medida afeta os modelos Claude Fable 5 e Claude Mythos 5. Em comunicado, a desenvolvedora informou que foi orientada a impedir o acesso às tecnologias por cidadãos estrangeiros, independentemente de estarem dentro ou fora do território norte-americano. A restrição também alcança funcionários estrangeiros da própria companhia.

Para garantir conformidade com a ordem governamental, o acesso aos modelos foi interrompido temporariamente para todos os clientes.

Disputa com o governo se intensifica

A decisão representa um novo capítulo nas tensões entre a Anthropic e o governo dos Estados Unidos. As negociações entre a empresa e autoridades federais sobre o uso de seus sistemas por setores militares e de inteligência não avançaram ao longo deste ano.

O cenário também levanta preocupações entre investidores. A Anthropic prepara uma possível abertura de capital ainda neste ano e busca uma avaliação de mercado próxima de US$ 1 trilhão. Analistas avaliam que o aumento da pressão regulatória pode afetar os planos da companhia e sua competitividade no setor de inteligência artificial.

Temor de uso para ataques cibernéticos

Os modelos afetados estão entre os mais avançados já desenvolvidos pela empresa. O Claude Fable 5 possui acesso mais amplo, enquanto o Claude Mythos 5 permanece disponível apenas para organizações previamente autorizadas.

De acordo com a Anthropic, o Mythos 5 apresenta capacidades excepcionais para identificar vulnerabilidades em softwares e sistemas complexos. Algumas dessas falhas poderiam permanecer ocultas por décadas e, caso exploradas por criminosos, servir como porta de entrada para ataques cibernéticos sofisticados.

Até o momento, a tecnologia vinha sendo utilizada por órgãos governamentais e empresas selecionadas para localizar e corrigir brechas de segurança. Ainda assim, especialistas alertam que ferramentas desse nível podem representar riscos significativos caso sejam utilizadas de forma indevida.

Setores que dependem de infraestruturas tecnológicas antigas e altamente integradas, como o financeiro, são apontados entre os mais vulneráveis a possíveis ataques acelerados por sistemas avançados de inteligência artificial.

A Anthropic afirma que seus próprios testes identificaram apenas um número limitado de falhas já conhecidas e classificadas como vulnerabilidades menores. A empresa argumenta que uma restrição ampla ao acesso desses modelos poderia dificultar o lançamento de novas gerações de IA por todo o setor.

Relação com o Pentágono

O relacionamento entre a Anthropic e o governo norte-americano se deteriorou após a empresa rejeitar propostas que envolviam o uso de seus modelos em programas de vigilância doméstica e sistemas de armas totalmente autônomos.

Atualmente, o Claude é considerado um dos principais sistemas de inteligência artificial utilizados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos em ambientes que processam informações sensíveis.

Como resposta às divergências, o Pentágono incluiu a Anthropic em uma lista de empresas classificadas como risco potencial para cadeias de fornecimento governamentais. A medida poderá restringir significativamente futuros contratos federais da companhia.

Recentemente, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva determinando avaliações prévias de segurança nacional para sistemas avançados de inteligência artificial antes de sua liberação pública. Até então, os controles governamentais estavam concentrados principalmente na exportação de chips e equipamentos de alta tecnologia.

Governo defende medida

A diretora de informação do Departamento de Defesa, Kirsten Davies, manifestou apoio à decisão em publicação nas redes sociais.

Segundo ela, questões ligadas à segurança nacional devem ter prioridade sobre interesses comerciais, avaliações de mercado e estratégias de abertura de capital.

Enquanto isso, a Anthropic sustenta que eventuais restrições a tecnologias avançadas de inteligência artificial devem seguir critérios técnicos claros e processos transparentes.

A empresa protocolou de forma confidencial, no mês passado, um pedido para abrir seu capital nos Estados Unidos, avançando na disputa com concorrentes do setor para acessar os mercados públicos.

O episódio também levanta dúvidas sobre o impacto da determinação para funcionários internacionais da companhia. O jornal The New York Times classificou a medida como incomumente ampla, observando que ela poderia afetar profissionais localizados até mesmo em países aliados dos Estados Unidos, como Canadá e Reino Unido.

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