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Cabo Verde segue se destacando como um dos países africanos mais acolhedores para a comunidade LGBTQIA+, em um continente onde, em muitos lugares, a legislação tem se tornado cada vez mais rígida contra pessoas LGBTQIA+.

Leonardo Oliveira faz carinho em seu gato em sua residência, em Mindelo, em 25 de maio de 2026 — Foto: Patrick Meinhardt/AFP
Para Leonardo, maquiador profissional de 29 anos conhecido como “Léo”, viver no arquipélago representa a possibilidade de expressar sua identidade com liberdade. Em Mindelo, na ilha de São Vicente, ele trabalha nos bastidores de produções artísticas e afirma que a maquiagem sempre fez parte de sua vida.
“A maquiagem tem um grande poder, e eu adoro quando transformo as pessoas, ou quando me transformo”, diz este maquiador profissional de 29 anos à AFP com um sorriso enquanto dá os retoques finais no visual de uma cantora para um videoclipe.
“É uma paixão minha desde pequeno; sempre fui fascinado pela feminilidade”, acrescenta “Léo”, como é conhecido em Mindelo, a segunda maior cidade do arquipélago, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, onde pode viver livremente sua homossexualidade.
O maquiador destaca que a realidade encontrada em Cabo Verde difere da de muitos outros países africanos.
“Tenho muita sorte de ter nascido em Cabo Verde”. “Aqui estamos mais seguros do que em muitos outros países”, afirma.
A homossexualidade foi descriminalizada no país em 2004, enquanto a discriminação no ambiente de trabalho por orientação sexual passou a ser proibida em 2008. De acordo com o índice Equaldex, Cabo Verde ocupa atualmente a primeira posição entre os países africanos mais acolhedores para a comunidade LGBTQIA+, à frente da África do Sul.
O cenário contrasta com o de outras nações do continente. No Senegal, por exemplo, uma lei aprovada em março ampliou de cinco para dez anos as penas de prisão para relações homossexuais. Atualmente, mais de 30 países ou territórios africanos ainda preveem punições severas para pessoas LGBTQIA+.
Dentro do arquipélago cabo-verdiano, São Vicente concentra a maior comunidade LGBTQIA+ do país e frequentemente recebe iniciativas voltadas à conscientização e ao combate à discriminação.
No fim de maio, três artistas — Walter, Alessandro e Stephan — apresentaram, durante duas noites em Mindelo, uma peça teatral que retratava episódios de violência, rejeição familiar e preconceito enfrentados por três travestis no bairro de Fonte Filipe, região conhecida por reunir um grande número de moradores LGBTQIA+.

Alessandro Monteiro (à esquerda) e Walter Pires (à direita) interagem com integrantes da plateia convidados a avaliar seus figurinos durante a estreia da peça Font Flip is Burning, realizada em Mindelo, em 30 de maio de 2026 — Foto: Patrick Meinhardt/AFP
Um dos participantes do espetáculo é Walter Pires, de 37 anos, que também atua como professor de educação física na ilha de Santo Antão. Assumidamente gay, ele afirma que exerce sua profissão sem enfrentar discriminação.
“Hoje vivemos quase no paraíso (em Cabo Verde), as novas gerações são mais abertas e respeitosas, mas isso só aconteceu depois de muito trabalho de conscientização”, destaca.
“No passado, houve abusos, e muitos dos nossos amigos foram expulsos de casa ou perderam o emprego”, afirma.
Apesar dos avanços, integrantes da comunidade afirmam que desafios ainda persistem. É o caso de Sindji Cawinny, mulher trans de 29 anos. Após relatar ter sofrido preconceito do proprietário do restaurante onde trabalhava, ela passou a atuar de forma independente organizando eventos e ministrando aulas de passarela para concursos de beleza.
“Percebi que, se eu for um homem gay que se veste como homem, é mais fácil conseguir um emprego; gostaria de continuar com minha vida transgênero, mas estou resignada”, afirma.
Com informações de France Presse
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