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EUA x Irã: Entenda por que acordo provisório deve ser assinado virtualmente


As negociações para a assinatura virtual de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã avançaram nos últimos dias, em uma tentativa de acelerar a formalização do entendimento e evitar possíveis contratempos de última hora, segundo autoridades envolvidas nas discussões.

Inicialmente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia manifestado a expectativa de que o documento fosse assinado presencialmente na Europa, com a participação do vice-presidente JD Vance. No entanto, dificuldades logísticas e compromissos oficiais acabaram inviabilizando o plano.

Entre os fatores considerados está a política de segurança americana que evita viagens internacionais simultâneas do presidente e do vice-presidente. Trump tem viagem programada para a cúpula do G7 na madrugada de segunda-feira (15), o que tornaria complexa a participação de Vance em uma cerimônia presencial antes do embarque presidencial.

Diante desse cenário, a assinatura eletrônica passou a ser vista como a alternativa mais viável para concluir o acordo provisório. Mediadores avaliam que prolongar o processo pode aumentar o risco de novos impasses ou até mesmo comprometer os avanços alcançados até agora.

Apesar dos esforços diplomáticos, persistem divergências entre Washington e Teerã sobre pontos centrais do entendimento, incluindo questões relacionadas ao apoio financeiro destinado ao Irã. Ainda não está claro se essas diferenças refletem apenas estratégias de comunicação pública ou obstáculos substanciais que possam ameaçar o acordo.

Irã nega assinatura imediata

Neste sábado (13), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã rejeitou informações de que o acordo seria assinado no domingo (14) e criticou a insistência do governo americano em estabelecer essa data.

Mais cedo, autoridades dos Estados Unidos e do Paquistão — que atua como mediador nas negociações — afirmaram que a assinatura estava prevista para ocorrer de forma eletrônica no domingo.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou que as partes chegaram a um entendimento sobre a estrutura de um acordo de paz e que negociações técnicas complementares deverão ocorrer na próxima semana.

Em posição divergente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a assinatura não acontecerá no prazo anunciado.

“A possibilidade de isso ocorrer nos próximos dias existe, mas, diante da instabilidade da outra parte, é necessário cautela em relação a qualquer cronograma”, declarou.

Baghaei ressaltou ainda que o documento em discussão não representa um acordo definitivo, mas sim um memorando destinado a registrar os principais pontos de discordância e estabelecer bases para o encerramento do conflito.

Questionado posteriormente, um funcionário do governo americano evitou comentar datas específicas, mas classificou o entendimento como “um acordo forte e importante”.

Caminho para o fim da guerra

Não é a primeira vez que os dois países parecem próximos de um entendimento inicial para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. Ainda assim, Sharif afirmou que as negociações estão mais avançadas do que em qualquer outro momento desde o início da guerra.

O confronto provocou forte impacto no mercado internacional de energia e deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, onde a escalada militar reacendeu tensões envolvendo Israel e o Hezbollah, grupo aliado de Teerã.

Estreito de Ormuz no centro das negociações

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou na sexta-feira (12) que o acordo provisório demonstra que o país saiu fortalecido do conflito, embora ainda existam pontos passíveis de revisão.

Poucas horas após a declaração, forças americanas interceptaram drones iranianos que se dirigiam ao Estreito de Ormuz, segundo fontes ligadas ao caso. Os equipamentos, de acordo com autoridades dos EUA, representavam risco ao tráfego marítimo comercial na região.

O Comando Central americano confirmou a operação e informou que a importante rota marítima permanece aberta à navegação.

Há meses, o Irã mantém restrições no Estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos intensificaram o bloqueio naval contra portos iranianos para limitar as exportações de petróleo do país.

De acordo com fontes envolvidas nas negociações, o acordo provisório prevê a reabertura da passagem marítima e o relaxamento das restrições navais americanas. Em uma etapa posterior, as partes discutiriam questões relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Autoridades americanas afirmam que a abertura do estreito é uma condição fundamental para o avanço do entendimento. Segundo elas, a suspensão do bloqueio naval ocorreria de forma simultânea à normalização da navegação na região.

A próxima fase das negociações também poderá incluir operações de desminagem no Estreito de Ormuz, com possível participação dos países integrantes do G7.

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