6/09/2026 04:05:00 PM

Um ex-piloto da companhia aérea Air Canada foi acusado pelas autoridades do Canadá de operar voos comerciais durante quase duas décadas utilizando uma licença de voo supostamente falsificada. De acordo com a polícia, Geoffrey Wall, de 59 anos, comandou centenas de voos nacionais e internacionais sem possuir a certificação exigida para atuar como capitão de aeronaves.
As investigações apontam que Wall teria utilizado documentos fraudulentos desde 2009, ano em que assumiu a função de comandante. No Canadá, pilotos que ocupam esse cargo precisam possuir uma Licença de Piloto de Linha Aérea (ATPL), obtida após o cumprimento de rigorosos requisitos técnicos e aprovação em exames específicos.
Segundo a Polícia Regional de Peel, na região de Toronto, o caso chamou a atenção pela complexidade e pelo longo período em que a suposta fraude permaneceu sem ser descoberta. As autoridades estimam que o piloto tenha realizado cerca de 900 voos em aeronaves Boeing e recebido milhões de dólares em salários ao longo dos anos.
A irregularidade foi identificada durante uma inspeção de rotina realizada em 2024 no Aeroporto Internacional Pearson. A verificação encontrou inconsistências na documentação apresentada por Wall, levando o órgão federal Transport Canada a iniciar uma investigação formal.
Batizada de “Projeto Ícaro”, a operação envolveu mandados de busca e análise detalhada dos registros do piloto. De acordo com os investigadores, a licença utilizada por Wall era falsa.
O vice-chefe da Polícia Regional de Peel, Nick Milinovich, destacou a importância dos processos de certificação na aviação e afirmou que as exigências de licenciamento existem para garantir a segurança dos passageiros e das operações aéreas.
Wall foi preso e responde a sete acusações criminais, incluindo fraude, falsificação de documentos, posse de marcas falsificadas e fornecimento de informações falsas às autoridades. Após a prisão, ele foi liberado e deverá comparecer novamente à Justiça canadense ainda este mês.
Em comunicado, a Air Canada informou que o piloto trabalhava na empresa desde 1998 e foi afastado imediatamente após a descoberta das irregularidades. A companhia afirmou ainda que comunicou voluntariamente o caso ao Ministério dos Transportes do Canadá.
A empresa ressaltou que a segurança dos passageiros não foi comprometida, destacando que todos os pilotos passam por treinamentos obrigatórios de reciclagem semestrais e avaliações periódicas de competência operacional.
Além disso, a companhia informou ter realizado uma auditoria interna após a descoberta do caso e afirmou não ter encontrado indícios de problemas semelhantes entre outros integrantes de sua equipe de pilotos.
Questionado sobre como a suposta fraude conseguiu permanecer oculta por tantos anos, Milinovich afirmou que esquemas desse tipo podem durar longos períodos antes de serem detectados. Segundo ele, alguns fraudadores conseguem aperfeiçoar seus métodos de engano, tornando mais difícil a identificação das irregularidades.
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