6/01/2026 07:28:00 AM

O Irã afirmou nesta segunda-feira (1º) que qualquer entendimento com os Estados Unidos dependerá da implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, durante entrevista coletiva em Teerã.
Segundo Baghaei, a interrupção dos ataques no território libanês é um requisito fundamental para o avanço das negociações que buscam uma solução para os conflitos na região.
“Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra”, afirmou.
O representante iraniano também acusou Washington de descumprir os compromissos de cessar-fogo estabelecidos com Teerã. De acordo com ele, as supostas violações aumentam a desconfiança do governo iraniano em relação aos Estados Unidos e dificultam qualquer aproximação diplomática.
“Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã. As violações são indicativas de má conduta e má-fé por parte dos EUA e apenas intensificam a desconfiança existente”, declarou.
As críticas foram reforçadas pelo presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf. Em publicação na rede social X, ele acusou Washington de não respeitar os termos acordados e apontou o bloqueio naval americano e as ações militares israelenses no Líbano como exemplos dessa postura.
Enquanto as negociações seguem em andamento, o programa nuclear iraniano permanece fora da pauta principal das conversas. Baghaei afirmou que, neste momento, a prioridade do governo iraniano é buscar uma solução para o conflito regional.
“Não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra”, disse o porta-voz.
A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que recebeu garantias de que o Irã não pretende desenvolver armas nucleares.
Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram uma nova ofensiva contra posições do Hezbollah no sul de Beirute. Em comunicado conjunto, os líderes israelenses informaram que autorizaram ataques contra alvos ligados ao grupo, alegando repetidas violações do cessar-fogo e ataques contra cidades israelenses.
O Hezbollah, que conta com apoio do Irã, tem sido um dos principais focos das operações militares israelenses no Líbano, ampliando as tensões e os desafios para as negociações diplomáticas em curso no Oriente Médio.
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