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Irã afirma que não autorizou inspeções da ONU em instalações nucleares atingidas pelos EUA

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O governo do Irã afirmou nesta terça-feira (23) que não realizou reuniões com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na Suíça e que, até o momento, não há planos para permitir inspeções da entidade nas instalações nucleares iranianas que sofreram danos durante o conflito com os Estados Unidos.

A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei. Segundo ele, não existe protocolo que preveja esse tipo de inspeção nas atuais circunstâncias. O representante também destacou que Teerã continuará cumprindo os compromissos assumidos como integrante do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e do acordo de salvaguardas firmado com a AIEA.

Baghaei afirmou ainda que as negociações em andamento entre Irã e Estados Unidos estão concentradas na definição de outras questões e cláusulas pendentes antes que o tema nuclear seja efetivamente discutido. De acordo com o porta-voz, as capacidades defensivas do país e seu programa de mísseis permanecerão fora de qualquer processo de negociação.

As declarações contrastam com as afirmações feitas na segunda-feira (22) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo vice-presidente J.D. Vance. Trump declarou que “todos estão plenamente cientes de que o Irã permitirá grandes inspeções de armamentos atômicos”, enquanto Vance afirmou que Teerã havia concordado com visitas de inspetores da AIEA às instalações nucleares iranianas.

Também na segunda-feira, autoridades iranianas informaram que nenhum entendimento sobre o programa nuclear do país foi alcançado durante a primeira rodada de negociações realizada na Suíça após a assinatura do acordo de paz que encerrou a guerra entre Irã e Estados Unidos.

O tema nuclear segue como um dos principais desafios diplomáticos no período pós-conflito. Entre os pontos em discussão estão o destino do material radioativo mantido pelo Irã e a realização de inspeções nas instalações nucleares do país. Apesar das divergências, os dois governos assumiram o compromisso de buscar uma solução para essas e outras questões, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, dentro de um prazo de até 60 dias, por meio de sucessivas rodadas de negociações com apoio de mediadores internacionais.

Líbano

Em paralelo às discussões diplomáticas, o embaixador iraniano junto à ONU em Genebra, Ali Bahreini, declarou nesta terça-feira que o Irã considera uma “linha vermelha” qualquer novo ataque de Israel em território libanês, no contexto do conflito envolvendo Israel e o Hezbollah.

No mesmo dia, duas pessoas morreram no sul do Líbano após disparos atribuídos a tropas israelenses, segundo informações divulgadas pela Defesa Civil e pela imprensa estatal libanesa. As mortes foram as primeiras registradas no país e atribuídas a Israel nos últimos três dias.

Após o episódio, o governo iraniano limitou-se a declarar que “qualquer violação na trégua no Líbano criará obstáculos nas negociações por uma paz definitiva”.

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