6/15/2026 08:25:00 AM

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, para participar da cúpula de líderes do G7, prevista para esta terça-feira (16).
Nos bastidores, o governo brasileiro trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o evento. Até o momento, porém, não há reunião bilateral oficialmente agendada entre os dois chefes de Estado.
A equipe do Planalto organizou a chegada antecipada do presidente ao primeiro dia da programação, considerando a hipótese de Trump participar apenas da abertura da cúpula, como ocorreu em edições anteriores do encontro.
De acordo com auxiliares do governo, não houve iniciativa formal por parte do Brasil nem dos Estados Unidos para solicitar uma reunião entre os dois líderes. Ainda assim, diplomatas avaliam que a ausência de pedidos oficiais não impede a realização de um eventual encontro.
A possível conversa ocorre em meio a uma nova tensão comercial envolvendo os EUA e o Brasil, com discussões sobre medidas tarifárias que podem elevar a carga sobre produtos brasileiros para até 37,5%, caso sejam confirmadas.
Dentro do governo brasileiro, há duas leituras principais sobre as medidas em discussão: uma tarifa adicional de 25%, associada a alegações de práticas comerciais desleais, ainda é vista como passível de negociação. Já a sobretaxa de 12,5%, relacionada a supostas falhas no combate ao trabalho forçado, é considerada mais difícil de reverter.
Embora não seja membro do G7, o Brasil tem sido convidado a participar das reuniões desde 2023. O grupo reúne algumas das principais economias do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
Agenda de encontros bilaterais
Durante a estadia na França, Lula terá uma reunião com o presidente francês, Emmanuel Macron, ainda nesta segunda-feira (15). Em seguida, está previsto um encontro com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.Na terça-feira (16), a programação inclui uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Também há previsão de conversas com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, antes do início oficial da cúpula.
Além disso, o presidente brasileiro pretende manter encontros com líderes da Alemanha, Canadá, Itália e Reino Unido ao longo do evento.
Debate no G7
A participação de Lula deve ter como foco críticas ao protecionismo e ao unilateralismo em decisões econômicas internacionais. A avaliação no governo é de que o presidente defenderá a necessidade de maior diálogo entre países e reforço de instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio.Segundo diplomatas, a intenção é transmitir uma posição contrária ao aumento de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos, sem adotar um tom de confronto direto com o governo americano.
Na semana anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou de reunião preparatória do G7 em nome do Brasil e defendeu o fortalecimento de organismos internacionais diante do avanço de medidas unilaterais no comércio global.
Inteligência artificial na pauta
Um dos temas previstos na agenda da cúpula é um almoço dedicado à inteligência artificial. A expectativa é de que Lula destaque que o Brasil não adota restrições discriminatórias contra plataformas digitais e está aberto à atuação de empresas de tecnologia, desde que respeitem a legislação nacional.O tema ganha relevância em meio a justificativas apresentadas por autoridades comerciais dos Estados Unidos, que citam decisões do Judiciário brasileiro envolvendo empresas de tecnologia como parte das discussões sobre medidas tarifárias.
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