6/09/2026 11:49:00 AM

Um manifestante morreu após ser baleado durante um protesto realizado nesta terça-feira (9) na cidade de Nanyuki, no centro do Quênia. A manifestação era contra a construção de um centro de quarentena financiado pelos Estados Unidos para receber cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola.
O confronto aconteceu próximo à Base Aérea de Laikipia, onde está sendo erguida uma unidade com capacidade para 50 leitos. Durante o protesto, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar centenas de pessoas que se reuniram no local.
Jornalistas da Reuters que acompanhavam a manifestação não presenciaram o momento do disparo, mas relataram ter visto o corpo da vítima dentro de uma viatura policial, com um grave ferimento na cabeça. Segundo testemunhas, ao menos dez pessoas foram detidas durante a operação.
Moradores da região afirmam que o projeto tem gerado preocupação na comunidade. Muitos temem que a chegada de pacientes expostos ao Ebola aumente o risco de transmissão da doença no país, que até o momento não registrou casos relacionados ao atual surto.
Entre os manifestantes estava Priscilla Imani, que criticou os impactos da iniciativa sobre o turismo local. Segundo ela, a associação da região ao centro de quarentena tem afastado visitantes que costumam procurar a área para escalar o Monte Quênia ou visitar reservas naturais conhecidas pela presença de rinocerontes.
A oposição ao projeto tem provocado protestos desde o anúncio da parceria entre os governos do Quênia e dos Estados Unidos. Na semana anterior, outros dois manifestantes já haviam morrido em episódios relacionados às manifestações.
O ministro da Saúde do Quênia, Aden Duale, afirmou que a instalação não será destinada apenas a cidadãos americanos e destacou que o centro faz parte dos esforços de preparação do país para possíveis casos da doença.
Em nota, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que Washington pretende investir cerca de US$ 13,5 milhões em ações de prevenção e resposta ao Ebola no Quênia.
Surto preocupa autoridades internacionais
O atual surto está concentrado principalmente na República Democrática do Congo (RDC), onde já foram registrados pelo menos 282 casos confirmados e mais de mil suspeitos da variante Bundibugyo do Ebola.Especialistas alertam para o avanço da doença na região, especialmente porque ainda não existe tratamento específico nem vacina aprovada para essa variante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o surto pode ter começado meses antes de ser identificado oficialmente e avaliou que a resposta internacional ocorreu de forma tardia.
O Ebola é uma doença viral grave, transmitida pelo contato direto com sangue, fluidos corporais ou materiais contaminados por pessoas infectadas. A enfermidade apresenta alta taxa de mortalidade, que pode chegar a cerca de 50% dos casos.
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