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Número de mortos por terremoto na Venezuela sobe para 1.719, diz governo

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O número de vítimas fatais provocadas pelo terremoto duplo que atingiu a Venezuela chegou a 1.719, de acordo com atualização divulgada pelo governo venezuelano às 15h desta segunda-feira (29). O balanço oficial também aponta 5.034 feridos e 15.866 pessoas desalojadas.

Novo tremor é registrado

Cinco dias após a sequência de terremotos que devastou o país, um novo abalo sísmico foi sentido na manhã desta segunda-feira. Conforme o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o tremor teve magnitude 4,6, com epicentro em Caraballeda, no litoral norte venezuelano, aproximadamente 30 quilômetros de Caracas. O evento ocorreu às 7h no horário local, equivalente às 8h em Brasília.

“Foi muito forte”, disse Ismael Díaz, morador de La Guaira, à agência de notícias AFP.

Apesar do novo tremor, as autoridades informaram que não houve impactos imediatos.

“Nenhum dano foi relatado imediatamente em decorrência do tremor secundário na Venezuela”.

Na sexta-feira (26), o país já havia registrado outro abalo de magnitude semelhante, inferior aos dois terremotos iniciais. No domingo (28), também foram contabilizados tremores de magnitudes 4,2 e 4,5.

Enquanto os tremores secundários continuam, equipes de resgate venezuelanas e internacionais seguem mobilizadas na busca por sobreviventes sob os escombros. Segundo estimativa da ONU, cerca de 50 mil pessoas ainda permanecem desaparecidas.

Embora especialistas apontem que as possibilidades de encontrar pessoas com vida diminuem significativamente após as primeiras 48 a 72 horas de um desastre, os trabalhos continuam. No domingo, o governo informou que 33 sobreviventes foram resgatados.

As operações de busca enfrentam diversos obstáculos. Além da necessidade de remover os destroços manualmente em muitos locais, o calor intenso dificulta o trabalho das equipes. Socorristas também relatam que o odor causado pela decomposição de corpos se torna cada vez mais forte nas áreas atingidas.

Mesmo diante da redução das chances de localizar sobreviventes e das críticas de parte da população à resposta das autoridades, voluntários permanecem atuando sem interrupção.

“Todos dizem que não há mais ninguém, mas continuamos aqui. Vamos ver se ainda dá para tirar mais alguém”, afirmou à agência de notícias AFP Eduardo Cardozo, um trabalhador rural que viajou para ajudar como voluntário nos trabalhos de resgate em Tucacas, na costa, quase 200 km ao leste de Caracas.

Em La Guaira, estado vizinho à capital e considerado o mais afetado pelos terremotos, equipes internacionais de resgate reforçaram as operações no domingo. Nos primeiros dias após a tragédia, moradores manifestaram insatisfação com a lentidão das ações oficiais, enquanto boa parte do atendimento inicial foi organizada por civis.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, determinou a continuidade das operações de busca e informou que o governo prepara medidas para atender as famílias que perderam suas casas em consequência dos desabamentos. O levantamento mais recente indica que mais de 770 edifícios sofreram destruição parcial ou total, incluindo imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais e dezenas de hospitais.

Segundo estimativas da ONU, os terremotos afetaram cerca de 6,8 milhões dos quase 30 milhões de habitantes da Venezuela. As autoridades seguem monitorando a situação, já que novos tremores continuam sendo registrados e ainda existe risco de novos danos.

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