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ONU estima que danos causados por terremotos na Venezuela podem chegar a US$ 6,7 bilhões

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Os prejuízos materiais causados pelos dois terremotos que atingiram a Venezuela na última semana podem alcançar US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 34,6 bilhões), valor equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A estimativa preliminar foi divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O cálculo foi elaborado a partir de modelos sísmicos, imagens de satélite e dados demográficos. A projeção considera os danos físicos e as perdas de patrimônio, como residências destruídas, mas não inclui os impactos econômicos indiretos decorrentes da tragédia.

Neste sábado (27), o governo venezuelano atualizou o balanço oficial e informou que o número de mortos já ultrapassa 1,4 mil. De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas e outras 3,1 mil perderam suas casas.

Apesar dos dados oficiais, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avaliam que o total de vítimas pode ser significativamente maior. A estimativa leva em consideração a intensidade dos tremores, a vulnerabilidade da infraestrutura e a alta concentração populacional nas áreas atingidas.

Mais cedo, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), vinculada à ONU, estimou que mais de 6 milhões de pessoas podem ter sido impactadas pelos terremotos.

“Até 6,8 milhões de pessoas podem ter sido afetadas pelos terremotos”, afirmou o órgão em nota.

Segundo a organização, a projeção foi baseada em análises de população e dos danos registrados nas regiões afetadas. Somente na capital, Caracas, até dois milhões de moradores podem ter sido atingidos.

O Escritório de Ajuda Humanitária da ONU estima que o número de desaparecidos ultrapasse 50 mil pessoas. Na sexta-feira (26), Jorge Rodríguez informou que ainda havia mais de uma centena de pessoas presas sob os escombros. Segundo ele, pelo menos 383 edifícios foram completamente destruídos ou sofreram graves danos estruturais.

Venezuela recebe reforço internacional

As operações de busca e resgate seguem mobilizando equipes venezuelanas e profissionais enviados por outros países. Conforme o governo, mais de 1.600 socorristas estrangeiros já desembarcaram na Venezuela para auxiliar nas ações.

“Nas últimas horas, a Venezuela recebeu 17 voos transportando mais de 1.600 membros de equipes de resgate e, nas próximas 24 horas, são esperados mais 25 voos”, disse Oliver Blanco, funcionário do Ministério das Relações Exteriores.

Na sexta-feira, uma aeronave da Força Aérea Brasileira chegou ao país transportando médicos, cães farejadores e equipamentos especializados para as operações. O governo venezuelano informou ainda que outros dois aviões com ajuda humanitária devem decolar em direção ao país ainda neste sábado.

Durante pronunciamento na televisão estatal, a presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que outras dez nações participarão das operações de socorro. Ela também informou que cerca de 14 mil militares e policiais foram mobilizados para atuar na região de La Guaira.

Como ocorreram os terremotos

Os dois terremotos aconteceram com menos de um minuto de intervalo e tiveram epicentros separados por apenas cinco quilômetros. O abalo mais intenso, de magnitude 7,5, teve epicentro na cidade de El Guayabo, localizada a cerca de 168 quilômetros de Caracas.

Após os tremores principais, diversas réplicas foram registradas em cidades costeiras próximas à capital, entre elas La Guaira, uma das localidades mais afetadas pela destruição. O aeroporto internacional de Caracas permanece fechado.

Além das magnitudes de 7,2 e 7,5, outro fator que contribuiu para a gravidade dos danos foi a baixa profundidade dos terremotos, o que intensificou os efeitos na superfície.

Os tremores também atingiram regiões densamente povoadas. Com base nesses fatores, o Serviço Geológico dos Estados Unidos estima que o número de mortos possa ultrapassar 10 mil pessoas.

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