6/06/2026 10:39:00 AM

Os peruanos participam neste domingo (7) do segundo turno das eleições presidenciais em uma disputa acirrada entre a candidata conservadora Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez. A votação ocorre em um contexto de forte divisão política, instabilidade institucional e preocupações sobre o futuro da economia do país.
As pesquisas mais recentes indicam um cenário de equilíbrio entre os dois concorrentes. Levantamento do instituto Ipsos apontou Sánchez com 43,8% das intenções de voto, enquanto Fujimori aparece com 43,2%. O percentual de eleitores que pretendem votar em branco ou anular o voto chega a cerca de 13%.
A eleição acontece após anos de turbulência política. Desde 2016, o Peru passou por sucessivas crises que resultaram na troca de diversos presidentes, alimentando a insatisfação popular e a desconfiança em relação às instituições públicas.
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko Fujimori disputa a Presidência pela quarta vez. Sua campanha tem como foco o combate à criminalidade e a manutenção do modelo econômico que marcou o país nas últimas décadas. Enquanto apoiadores a veem como uma opção de estabilidade, opositores apontam preocupações relacionadas ao legado político do fujimorismo e a episódios de corrupção associados ao período de governo de seu pai.
Já Roberto Sánchez busca apoio principalmente entre moradores de áreas rurais e segmentos de menor renda. Ex-ministro e atual congressista, ele defende reformas políticas e econômicas, incluindo mudanças constitucionais e maior participação do Estado em setores estratégicos. Durante a reta final da campanha, o candidato adotou um discurso mais moderado, afirmando que pretende preservar a autonomia do Banco Central e manter a economia aberta ao investimento privado.
Em declarações recentes, Sánchez também destacou a intenção de manter relações diplomáticas estáveis com os Estados Unidos e ampliar investimentos voltados à redução das desigualdades regionais.
A disputa eleitoral tem sido acompanhada com atenção pelos mercados financeiros. Na última sexta-feira (5), a bolsa de valores de Lima registrou forte queda após pesquisas indicarem vantagem numérica de Sánchez. Investidores demonstram cautela diante da possibilidade de mudanças em setores estratégicos, especialmente na mineração, atividade que representa parcela significativa da economia peruana.
A mineração informal, inclusive, tornou-se um dos principais temas da campanha. O programa REINFO, que permite a atuação de pequenos mineradores ainda em processo de regularização, está no centro do debate político. Estimativas apontam que centenas de milhares de trabalhadores dependem da atividade, responsável por uma parte expressiva das exportações de ouro do país.
Machu Picchu também entra na pauta eleitoral
Questões ligadas ao turismo ganharam espaço nas discussões das últimas semanas. A preservação de Machu Picchu passou a ser tema de debate após denúncias envolvendo a gestão do sítio arqueológico, problemas na comercialização de ingressos e preocupações com a imagem internacional de um dos destinos turísticos mais conhecidos do mundo.Especialistas avaliam que o resultado da eleição será determinante para medir a capacidade do Peru de superar anos de instabilidade política e fortalecer a confiança nas instituições democráticas. O vencedor assumirá o cargo em 28 de julho e terá como desafio governar ao lado de um Congresso fragmentado, historicamente marcado por conflitos com o Poder Executivo.
Candidato enfrenta processo judicial
Durante a semana, a Justiça peruana decidiu levar Roberto Sánchez a julgamento por supostas irregularidades na prestação de contas do financiamento de seu partido entre 2018 e 2020.De acordo com o Ministério Público, o político teria deixado de declarar mais de US$ 57 mil destinados a atividades partidárias. A Promotoria solicita pena de cinco anos e quatro meses de prisão. A defesa informou que recorrerá da decisão e ressaltou que o processo não impede sua participação na eleição. Caso seja eleito presidente, Sánchez passará a contar com imunidade constitucional prevista pela legislação peruana.
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