6/22/2026 08:50:00 PM
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou nesta segunda-feira (22) a decisão do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de deixar o cargo. Durante uma declaração no Salão Oval, Trump atribuiu o desgaste político do líder britânico a decisões relacionadas à política energética, imigração e segurança.
Segundo o presidente americano, ele já havia alertado Starmer sobre os impactos de restringir a exploração de petróleo no Mar do Norte enquanto ampliava investimentos em fontes renováveis. Trump afirmou que essa estratégia enfraqueceu a posição energética do Reino Unido e criticou a dependência britânica de importações de energia da Noruega.
O republicano também apontou a imigração e a criminalidade como fatores que contribuíram para a perda de apoio ao governo britânico. Em sua avaliação, esses temas representaram fragilidades significativas para a administração de Starmer.
Ao abordar o conflito no Oriente Médio, Trump fez críticas à postura adotada pelo premiê britânico diante da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o Irã. O presidente declarou que Starmer “não era Churchill” e afirmou que o posicionamento do Reino Unido comprometeu sua influência internacional.
De acordo com Trump, divergências envolvendo a cooperação militar e a condução da guerra provocaram atritos entre Washington e Londres. O presidente americano sugeriu que o governo britânico deveria ter demonstrado maior alinhamento com os Estados Unidos, considerando o momento um teste para a unidade dos países ocidentais.
Apesar das críticas, Trump adotou um tom amistoso ao falar sobre Starmer. O presidente o descreveu como “um homem adorável” e “uma espécie de amigo”, mas reiterou que determinadas escolhas políticas acabaram gerando consequências negativas para sua permanência no cargo.
A saída de Starmer ocorre em meio ao aumento da pressão dentro do Partido Trabalhista. Questões ligadas à economia, à energia e ao desempenho do governo vinham sendo alvo de críticas crescentes entre parlamentares e integrantes da legenda.
Renúncia
Keir Starmer anunciou na manhã desta segunda-feira que deixará o cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. Com a decisão, o Partido Trabalhista deverá escolher um novo líder antes da retomada dos trabalhos parlamentares em setembro.Menos de dois anos após conquistar uma ampla vitória eleitoral, Starmer reconheceu que havia perdido o apoio necessário para continuar liderando o partido.
Durante seu pronunciamento, informou que o processo de indicação de candidatos para sua sucessão será aberto em 9 de julho. O principal nome apontado para substituí-lo é Andy Burnham. Em seu discurso, Starmer agradeceu o apoio recebido de colegas e prestou homenagem à esposa e aos filhos.
“A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e a aceito de bom grado”, disse.
Nos bastidores, a pressão pela saída do premiê vinha crescendo há meses. Fontes próximas ao governo indicaram que Starmer já avaliava seu futuro político no domingo (21), após a expressiva vitória de Andy Burnham em uma disputa parlamentar no noroeste da Inglaterra.
O resultado fortaleceu a posição de Burnham dentro do partido e intensificou os pedidos para que Starmer estabelecesse um cronograma de transição. Parlamentares e integrantes do governo defendiam que a mudança de liderança ocorresse rapidamente para preparar a legenda para os próximos desafios políticos.
Nos últimos meses, as relações entre Reino Unido e Estados Unidos também enfrentaram momentos de tensão. Starmer evitou apoiar de forma imediata a atuação americana na guerra contra o Irã e demorou a autorizar o uso de bases britânicas pelos Estados Unidos, situação que provocou insatisfação na Casa Branca.
Na sexta-feira (19), Starmer havia afirmado que participaria de qualquer disputa formal pela liderança trabalhista. Entretanto, a movimentação política ocorrida durante o fim de semana alterou o cenário.
Quem assumir o comando do governo britânico será o sétimo primeiro-ministro do país desde o referendo do Brexit, realizado há dez anos. A sucessão reforça o período de instabilidade política vivido pelo Reino Unido, marcado por mudanças frequentes de liderança e dificuldades para responder às demandas dos eleitores em áreas como crescimento econômico, serviços públicos e imigração.
Para o grupo de análise política Eurasia, um dos cenários considerados mais favoráveis seria uma transição organizada até setembro. A avaliação permitiria que Starmer participasse de uma cúpula entre Reino Unido e União Europeia prevista para julho e daria tempo para que seu sucessor se preparasse para assumir o governo.
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