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Acusado de matar Charlie Kirk comparece a tribunal; promotoria apresenta provas

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As investigações sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk avançaram nesta segunda-feira (6), quando Tyler Robinson, de 23 anos, compareceu ao tribunal em Utah para o início da audiência preliminar do caso. A etapa processual, que deve se estender por vários dias, servirá para que a promotoria apresente parte das evidências reunidas durante a investigação.

O primeiro depoimento foi prestado por um ex-policial da Universidade Utah Valley (UVU), que relatou como ocorreu o ataque, as consequências imediatas do tiroteio e as providências tomadas após o crime.

Entre as principais provas previstas para serem apresentadas está o depoimento gravado de uma ex-colega de quarto de Robinson, apontada nos autos como sua parceira romântica. Segundo a acusação, ela poderá detalhar as mensagens trocadas com o suspeito depois do assassinato, incluindo conversas que os investigadores consideram uma confissão.

Também acompanharam a abertura da audiência os pais de Charlie Kirk, sua viúva, Erika Kirk, e Donald Trump Jr., amigo próximo da vítima.

Antes do início dos trabalhos, o juiz Tony Graf cumprimentou Erika Kirk desejando-lhe bom dia.

Além do depoimento da ex-colega de quarto, o Ministério Público pretende apresentar imagens de câmeras de segurança, fotografias da suposta arma utilizada no crime, laudos balísticos e o conteúdo das mensagens trocadas entre Robinson e a testemunha. Policiais envolvidos na investigação também deverão ser chamados para depor.

A defesa informou que pretende apresentar três especialistas em perícia forense durante a audiência.

O procedimento ocorre cerca de dez meses após Charlie Kirk, de 31 anos, fundador do grupo Turning Point USA, ser morto a tiros enquanto discursava para aproximadamente 3 mil pessoas durante um evento realizado no campus da UVU, em Orem.

A repercussão do assassinato foi imediata. Imagens do ataque circularam amplamente nas redes sociais, enquanto lideranças políticas de diferentes correntes manifestaram condenação ao crime, considerado mais um episódio da crescente violência política registrada nos Estados Unidos.

No dia seguinte ao atentado, Robinson se apresentou voluntariamente às autoridades.

Ele responde por acusações de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, prática de crime violento na presença de menor, obstrução da Justiça e intimidação de testemunha. A promotoria informou que pretende buscar a aplicação da pena de morte.

Próximos passos do processo

No sistema judicial de Utah, a audiência preliminar tem como objetivo avaliar se as provas reunidas são suficientes para justificar a continuidade da ação penal.

Caso o juiz conclua que existem indícios suficientes, Robinson será formalmente denunciado e, então, apresentará sua declaração de culpa ou inocência.

Na semana passada, o magistrado autorizou a gravação e a transmissão de grande parte da audiência pelas emissoras de notícias, decisão contestada pela defesa.

Os advogados de Robinson sustentam que a intensa cobertura da imprensa pode comprometer o direito do acusado a um julgamento imparcial e transformar o processo em “um reality show”. Já a promotoria argumenta que a presença das câmeras contribui para combater a circulação de desinformação e teorias conspiratórias.

A defesa também solicitou o adiamento da audiência, alegando que o elevado volume de provas dificultava a preparação adequada da equipe jurídica. Os advogados afirmaram ainda que não haviam conseguido analisar integralmente as evidências periciais, embora posteriormente tenham recebido todos os relatórios solicitados.

Família de Kirk pede privacidade

Em nota divulgada antes da audiência, os familiares de Charlie Kirk agradeceram o apoio recebido desde a morte do ativista.

“apoio, orações e carinho que recebemos”

Segundo a família, a solidariedade demonstrada por apoiadores ajudou a enfrentar os momentos mais difíceis.

“Charlie era um marido, filho, irmão, amigo e pai amado”.

A nota acrescenta que cada etapa do processo judicial representa uma lembrança dolorosa da perda sofrida.

“Cada audiência judicial serve como uma dolorosa lembrança de sua morte e da perda que impactou irremediavelmente nossas vidas e as vidas de seus filhos.”

Por fim, os familiares afirmaram que não comentarão o andamento do caso.

“Por respeito ao processo judicial, não faremos mais comentários neste momento”

“Pedimos privacidade enquanto lidamos com este processo e com a imensa dor.”

Como ocorreu o assassinato

Charlie Kirk foi atingido por um disparo no pescoço na tarde de 10 de setembro de 2025, enquanto participava do evento que marcava o início da turnê nacional “The American Comeback”, no campus da Universidade Utah Valley.

Segundo a promotoria, câmeras de vigilância registraram uma pessoa vestindo roupas escuras sobre o telhado de um prédio com vista para o local do discurso poucos minutos antes do disparo.

Após o tiro, o suspeito foi visto correndo pelo telhado carregando um objeto semelhante a um rifle antes de fugir em direção a uma área de mata.

No local, investigadores encontraram um rifle Mauser Modelo 98 calibre .30-06 equipado com mira telescópica e enrolado em uma toalha.

De acordo com os documentos da acusação, a arma continha um cartucho deflagrado e outros três intactos, todos com inscrições gravadas.

A promotoria afirma que exames identificaram DNA compatível com Robinson no gatilho da arma, no estojo do cartucho disparado, em dois cartuchos intactos e também na toalha.

Os advogados de defesa contestam a conclusão e afirmam que os exames apontam a presença de material genético de várias pessoas — chegando a “cinco ou mais” indivíduos — em alguns dos objetos analisados.

Outro ponto explorado pela defesa envolve a perícia balística. Segundo documentos judiciais, especialistas federais concluíram que os fragmentos retirados do corpo de Kirk “não pôde ser identificada nem descartada” como provenientes do rifle encontrado.

Os advogados argumentam que o laudo “não conseguiu identificar a bala recuperada na autópsia como sendo do rifle supostamente ligado ao Sr. Robinson”, sustentando que o resultado pode favorecer a defesa.

Especialistas destacam, entretanto, que conclusões inconclusivas em exames balísticos são relativamente comuns quando os fragmentos recuperados apresentam tamanho reduzido ou danos significativos.

Entrega à polícia

Segundo a acusação, no dia seguinte ao crime, os pais de Robinson reconheceram semelhanças entre as imagens divulgadas do suspeito e de sua arma de fogo com o filho.

Eles convenceram Robinson a retornar para casa, onde, conforme os promotores, ele teria admitido envolvimento no ataque.

“insinuou ser o atirador e afirmou que não podia ir para a cadeia e que só queria acabar com tudo”

Ao ser questionado sobre a motivação do crime, os investigadores afirmam que Robinson respondeu:

“Quando perguntado por que fez isso, Robinson explicou que existe muita maldade e que o cara [Charlie Kirk] espalha muito ódio”.

Com o auxílio de um amigo da família, ex-delegado, Robinson acabou convencido a se entregar às autoridades.

Naquela mesma noite, ele compareceu a uma delegacia acompanhado dos pais e do amigo da família, onde foi recebido por investigadores.

Mensagens são consideradas peça central da acusação

A ex-colega de quarto de Robinson deverá desempenhar papel importante durante a audiência.

A promotoria afirma que ela recebeu imunidade limitada para prestar depoimento aos investigadores em abril e que sua declaração será exibida durante o processo.

Segundo os autos, poucas horas após o assassinato, Robinson enviou uma mensagem dizendo:

“Largue o que está fazendo e olhe embaixo do meu teclado”

Ela encontrou um bilhete com a seguinte frase:

“Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitá-la.”

Em seguida, perguntou ao suspeito:

“Você não foi quem fez isso, né????”

De acordo com a acusação, Robinson respondeu:

“Sim, eu sinto muito”

As mensagens também fazem referência às inscrições nas munições e ao fato de o rifle ter sido deixado enrolado em uma toalha.

Questionado sobre a motivação do crime, Robinson teria escrito:

“Chega do ódio dele. Alguns ódios são irreconciliáveis.”

Posteriormente, ao informar que pretendia se entregar, ele também teria orientado a colega de quarto:

“Se algum policial lhe fizer perguntas, peça um advogado e fique em silêncio”

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