Ícone do Widget

Relacionado

×

Andy Burnham assume como primeiro-ministro do Reino Unido e faz primeiro discurso

Novo líder trabalhista promete enfrentar a inflação, reduzir o custo de vida e unir o país após suceder Keir Starmer

Tempo de leitura: ...

A transição no comando do governo do Reino Unido foi concluída nesta segunda-feira (20), com Andy Burnham assumindo oficialmente o cargo de primeiro-ministro após a saída de Keir Starmer. A mudança ocorre semanas depois de Starmer anunciar que deixaria a chefia do governo em meio a uma prolongada crise política e econômica que abalou sua gestão.

Ao chegar ao número 10 de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro em Londres, Burnham fez seu primeiro pronunciamento como chefe de governo. Em sua fala, destacou a intenção de impulsionar uma “nova economia” para enfrentar o aumento da inflação e do custo de vida que afeta o país. O novo premiê também reforçou o compromisso de promover maior união entre os britânicos.

Antes da cerimônia de transição, Keir Starmer se despediu do cargo em um discurso diante da sede do governo. Ao agradecer pelo período em que liderou o país, declarou: “Saio com elegância, com um sorriso e orgulhoso de tudo o que conquistamos”.

O ex-primeiro-ministro também demonstrou apoio ao sucessor e procurou reforçar a unidade do Partido Trabalhista ao afirmar: “Desejo-lhe todo o sucesso e ele tem meu total apoio”.

Após a despedida, Starmer seguiu para o Palácio de Buckingham acompanhado da esposa, onde se reuniu pela última vez com o Rei Charles III na condição de primeiro-ministro. Durante o encontro, apresentou oficialmente sua renúncia, conforme determina a tradição constitucional britânica, abrindo caminho para que o monarca formalizasse a nomeação de Burnham. Em seguida, o novo premiê teve sua primeira audiência oficial com o rei.

A confirmação de Andy Burnham como líder do Partido Trabalhista havia ocorrido na sexta-feira (17), etapa necessária para sua chegada ao comando do governo. Ele foi o único candidato apresentado pela legenda para substituir Starmer, que também ocupava a liderança do partido.

No sistema político britânico, a renúncia de um primeiro-ministro não exige, obrigatoriamente, a convocação de novas eleições gerais. Como o Partido Trabalhista permanece com a maioria parlamentar conquistada no último pleito, cabe à própria legenda escolher um novo líder, que automaticamente assume a chefia do governo.

Ao ser confirmado no comando do partido, Burnham rejeitou a existência de divisões internas. “Estamos unidos”, discursou.

O novo primeiro-ministro também indicou que pretende ampliar a intervenção sobre os preços de produtos essenciais como estratégia para combater a inflação, um dos principais fatores que contribuíram para a crise enfrentada pelo governo anterior. “Se não temos controle público suficiente sobre o custo de bens essenciais, como podemos conter a inflação?”, questionou.

Ainda em seu pronunciamento, Burnham afirmou que sua administração buscará representar todas as partes do país. “Serei um líder para o norte, o sul, o leste e oeste”.

A saída de Starmer encerra um governo que durou menos de dois anos, apesar da ampla vitória eleitoral obtida pelo Partido Trabalhista e da confortável maioria conquistada no Parlamento. Ao longo do mandato, porém, sua popularidade sofreu sucessivas quedas.

Entre os fatores que desgastaram o governo estiveram a estagnação da economia britânica, cortes em benefícios destinados a idosos e o aumento de impostos. Além disso, vieram à tona informações de que Starmer e integrantes de seu gabinete receberam presentes de doadores do partido, incluindo roupas de grife, óculos de luxo, ingressos para espetáculos, entre eles um show da cantora Taylor Swift, e partidas de futebol. Embora as doações estivessem de acordo com as normas parlamentares, o episódio prejudicou a imagem pública do governo.

Outro momento de forte desgaste ocorreu em fevereiro de 2026, quando o chefe de gabinete de Starmer deixou o cargo após indicar Peter Mandelson para o posto de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, apesar de conhecer suas ligações com Jeffrey Epstein. O episódio provocou críticas ao Partido Trabalhista, e o próprio primeiro-ministro reconheceu que havia cometido um erro.

A insatisfação do eleitorado ficou evidente nas eleições regionais de maio, quando os trabalhistas registraram uma derrota histórica e perderam centenas de cadeiras em parlamentos locais.

As pesquisas de opinião refletiram esse cenário. Em maio, apenas 13% dos britânicos aprovavam o governo de Starmer, enquanto 79% desaprovavam sua liderança, o pior índice registrado para um primeiro-ministro britânico desde 1977.

Nas semanas que antecederam sua renúncia, Starmer ainda enfrentou pressão direta de aproximadamente 100 parlamentares do próprio partido, que passaram a defender publicamente sua saída. Depois de resistir por algumas semanas, ele deixou o cargo após permanecer 23 meses à frente do governo britânico.

Comentários