7/06/2026 11:35:00 AM
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta segunda-feira (6) que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos podem ser impactados caso o governo do presidente Donald Trump adote a tarifa adicional proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês).
A divulgação da estimativa coincide com o início das audiências públicas realizadas em Washington para discutir a medida. Enquanto isso, Brasil e Estados Unidos seguem negociando um possível acordo antes do prazo final, marcado para 15 de julho.
Segundo o USTR, o Brasil manteria práticas consideradas desfavoráveis aos interesses de empresas americanas em áreas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. O governo brasileiro rejeitou oficialmente essas alegações em documento encaminhado na semana passada à administração norte-americana.
De acordo com a CNI, os produtos potencialmente atingidos representam aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Entre os itens citados estão ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.
“A imposição de uma tarifa adicional de 25% não se justifica sob o aspecto jurídico, econômico e estratégico. A CNI defende que o diálogo e a cooperação bilateral são o caminho mais adequado para preservar uma relação sólida entre os dois países”, afirmou em nota o presidente da entidade, Ricardo Alban.
Governo acompanha audiências, mas aposta em negociações
O governo brasileiro optou por não participar com manifestações nas audiências públicas promovidas pelos Estados Unidos sobre a proposta tarifária. Ainda assim, representantes da embaixada brasileira em Washington acompanham os debates na condição de observadores para conhecer os argumentos apresentados.Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a avaliação do governo é que as audiências não representam o principal espaço para negociações efetivas. A estratégia continua concentrada nas tratativas técnicas e diplomáticas conduzidas entre autoridades dos dois países nas últimas semanas.
Recentemente, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante do escritório comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Após o encontro, o ministro informou que novas conversas deverão ocorrer nos próximos dias.
Durante as negociações, o governo brasileiro apresentou uma proposta para responder aos seis pontos levantados pelas autoridades americanas, mas ainda aguarda uma manifestação oficial dos Estados Unidos.
Com o prazo para um entendimento previsto para 15 de julho, o governo brasileiro intensifica os esforços para evitar a adoção das tarifas. Nas conversas, negociadores têm destacado dados sobre a relação comercial entre os países e as ações desenvolvidas pelo Brasil no combate ao desmatamento.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto e do Itamaraty avaliam que a recomendação do USTR possui forte componente político e não leva em consideração os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil ao longo do último ano.
Como exemplo, integrantes do governo apontam que os documentos que deram início à investigação comercial, em julho de 2025, e a recomendação pelas novas tarifas, divulgada em junho de 2026, apresentam conteúdo praticamente idêntico.
Diante desse cenário, a expectativa dentro do governo é de que uma reversão total da medida seja improvável, embora exista a possibilidade de redução das tarifas ou da criação de exceções para determinados produtos.
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