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China promove generais e nomeia novo chefe militar de combate à corrupção

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O presidente da China, Xi Jinping, promoveu nesta sexta-feira (3) dois oficiais do Exército Popular de Libertação (EPL) ao posto de general e nomeou um deles para comandar o principal órgão disciplinar e de combate à corrupção das Forças Armadas. A decisão ocorre em meio ao processo de reestruturação da alta cúpula militar, afetada por sucessivas mudanças nos últimos anos.

Durante uma cerimônia realizada em Pequim, Zhang Shuguang, experiente oficial da área disciplinar do EPL, e Wang Gang, comandante da Força Aérea chinesa, receberam a mais alta patente destinada a militares da ativa, conforme informou a imprensa estatal.

Com a promoção, Zhang Shuguang assumiu a chefia da comissão de inspeção disciplinar da Comissão Militar Central (CMC), substituindo Zhang Shengmin no comando do órgão responsável pelas investigações de corrupção nas Forças Armadas. Zhang Shengmin ocupava essa função desde 2017 e continuava no cargo mesmo após ter sido promovido a vice-presidente da CMC em 2025.

A nomeação faz parte da ampla campanha anticorrupção conduzida por Xi Jinping ao longo dos últimos anos. Nesse período, dezenas de altos oficiais e generais foram alvo de investigações, perderam seus cargos e foram afastados. Em maio, dois ex-ministros da Defesa receberam sentenças de morte com suspensão.

As medidas também provocaram uma redução significativa na estrutura do principal órgão de comando militar da China. A Comissão Militar Central, que anteriormente contava com sete integrantes, passou a ter apenas dois membros: Xi Jinping, na presidência, e o vice-presidente Zhang Shengmin.

Após o afastamento de grande parte da alta liderança militar por acusações de corrupção, Xi determinou o envio de oficiais de alto escalão para um curso intensivo de reciclagem política com duração de dez semanas no início deste ano.

“Todos os pensamentos e ações voltados para o ganho pessoal e a corrupção são fundamentalmente incompatíveis com a natureza e o propósito do partido”, disse ele aos oficiais em abril, no início desse programa raro e incomum.

Segundo um jornal administrado pelo Exército Popular de Libertação, os participantes estudaram as obras de Xi Jinping, renovaram o juramento ao Partido Comunista e permaneceram trabalhando até altas horas para refletir sobre suas próprias falhas.

Com a determinação de “voltar a lâmina da faca contra si mesmos”, os oficiais foram orientados a “revelar suas falhas com um espírito de autorrevolução completa e a identificar e examinar casos de contaminação por influências perniciosas e manifestações de mutação”, informou o jornal.

Para Neil Thomas, pesquisador do Asia Society Policy Institute, em Nova York, a estratégia do presidente chinês busca fortalecer o controle político sobre as Forças Armadas.

“A visão de Xi parece ser de que um controle político mais rígido tornará o EPL uma força de combate mais eficaz e, portanto, um instrumento mais confiável de coerção sobre Taiwan e no Mar da China Meridional”, disse Neil Thomas.

O pesquisador acrescentou que “A remoção de comandantes de alto escalão pode prejudicar a prontidão no curto prazo, mas Xi parece disposto a aceitar esse risco, pois acredita que isso resultará em Forças Armadas mais disciplinadas e mais capazes ao longo do tempo”, disse ele.

A atual composição da Comissão Militar Central foi definida em outubro de 2022. A expectativa é que o órgão seja renovado ou tenha seus integrantes substituídos após o próximo congresso quinquenal do Partido Comunista Chinês, previsto para ocorrer no segundo semestre de 2027.

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