7/13/2026 09:55:00 AM
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O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, reagiu nesta segunda-feira (13) às declarações do ex-primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, sobre a seleção francesa de futebol. Em entrevista às emissoras BFMTV e RMC, o chanceler condenou duramente os comentários e afirmou que eles representam uma visão incompatível com os valores do país.
“De uma vez por todas, a França não tem cor de pele. Qualquer afirmação em sentido contrário é uma estupidez, racismo ou uma combinação das duas coisas”, declarou Barrot.
Durante a entrevista, o ministro ressaltou que a seleção nacional simboliza o melhor da França. Segundo ele, trata-se de “uma equipe excepcional” que transmite a imagem de “um país conquistador, audacioso e ao qual nada nem ninguém resiste”.
Barrot acrescentou que sente orgulho da forma como a equipe representa o país e destacou que os franceses apoiam a seleção “independentemente de sua origem, da cor de sua pele, do lugar onde vivem ou de sua idade”.
Na avaliação do chanceler, a principal resposta à controvérsia será dada pelos próprios atletas em campo. “Quem dará a melhor resposta serão os jogadores da seleção francesa quando vencerem com clareza esta semifinal”, afirmou, referindo-se ao duelo desta terça-feira contra a Espanha.
As declarações de Barrot foram feitas um dia após o governo francês considerar “absolutamente inaceitáveis” e “absurdas” as afirmações de Rajoy. Em um artigo publicado pelo jornal El Debate, o ex-premiê espanhol escreveu que a seleção francesa possui “um nível altíssimo, é verdade, mas sem franceses”, após a classificação da Espanha para as semifinais da Copa do Mundo.
A posição de Rajoy também foi criticada pelo atual presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.
Reações na França
A repercussão das declarações se espalhou entre autoridades francesas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que os comentários “não refletem de forma alguma o que é a França” e defendeu que o país é “uma república da diversidade”, na qual todos devem encontrar seu lugar.Outras lideranças também manifestaram repúdio às declarações, entre elas a ministra delegada Éléonore Caroit, o primeiro-secretário do Partido Socialista, Olivier Faure, o líder do Partido Comunista, Fabien Roussel, a presidente da região de Île-de-France, Valérie Pécresse, e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo. Este último afirmou que as palavras de Rajoy exalam “um odor de racismo intolerável”.
Rajoy havia escrito que a seleção francesa joga “sem franceses”. No entanto, dos 26 atletas convocados pelo técnico Didier Deschamps, apenas Michael Olise, Marcus Thuram e Brice Samba nasceram fora do território francês. Os demais nasceram na França, embora muitos sejam filhos ou netos de imigrantes.
O episódio voltou a colocar em evidência o debate sobre imigração, identidade nacional e racismo no esporte francês. A controvérsia também ocorre após a repercussão provocada por declarações racistas feitas por uma senadora paraguaia contra o atacante francês Kylian Mbappé.
Na Espanha, o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, também condenou as declarações de Rajoy. Segundo ele, a mensagem “racista e xenófoba” do ex-primeiro-ministro é “absolutamente inaceitável” e seu partido deveria “deixar de tentar incendiar, boicotar e sabotar a extraordinária política externa da Espanha”.
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