7/01/2026 05:16:00 PM
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira que a gangue equatoriana Los Chone Killers passará a ser classificada pelo governo norte-americano como Organização Terrorista Estrangeira. Além disso, o grupo foi incluído na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês).
A medida segue o mesmo modelo adotado recentemente pelos Estados Unidos contra organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), enquadradas nas mesmas categorias pelo governo do presidente Donald Trump.
Em comunicado oficial, Rubio afirmou que a decisão foi motivada pelo histórico de violência atribuído ao grupo criminoso.
“Os Chone Killers são uma gangue equatoriana que perpetrou inúmeros ataques contra civis, agentes da lei e autoridades governamentais, incluindo assassinatos de alto nível de funcionários públicos. O grupo surgiu como uma facção dos Los Choneros — organização designada como FTO (Organização Terrorista Estrangeira) e SDGT (Terrorista Global Especialmente Designado) — antes de se separar e formar um grupo independente em 2020”, disse Rubio.
O secretário também destacou a cooperação entre Washington e o governo do Equador no enfrentamento ao crime organizado.
“A Administração Trump, em parceria com o Equador e o presidente Daniel Noboa, continuará a proteger nosso hemisfério, mantendo drogas ilícitas longe de nossas ruas e desmantelando as fontes de receita que financiam narcoterroristas violentos. A ação de hoje do Departamento demonstra, mais uma vez, o compromisso inabalável da Administração Trump em desmantelar cartéis e grupos narcoterroristas em nossa região e em garantir a segurança do povo americano.”
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, é considerado um dos principais aliados da administração Trump na América do Sul.
Facções brasileiras
Em 28 de maio, o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que também classificaria as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. O anúncio ocorreu um dia após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Marco Rubio.Na ocasião, o governo norte-americano afirmou que as duas organizações estão entre os grupos criminosos mais violentos do Brasil, apontando que ambas possuem milhares de integrantes e são responsáveis por ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.
Em publicação nas redes sociais, Rubio declarou que a atuação dessas facções não se limita ao território brasileiro, alcançando outros países da América do Sul e também os Estados Unidos.
“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, escreveu.
A decisão foi recebida com críticas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação do Palácio do Planalto é de que a classificação como organizações terroristas poderia abrir espaço para medidas mais rígidas por parte dos Estados Unidos.
Entre as hipóteses discutidas está a possibilidade de que, em um cenário extremo, Washington utilize esse enquadramento para justificar operações militares em território brasileiro, como ocorreu em outros países. Especialistas em segurança pública, por outro lado, argumentam que a legislação brasileira já prevê punições mais severas para integrantes de facções criminosas do que a própria lei antiterrorismo.
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