7/03/2026 08:04:00 PM
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A atriz Jodie Foster, de 63 anos, comentou sobre as transformações que vêm ocorrendo na indústria cinematográfica de Hollywood e demonstrou preocupação com o uso crescente da Inteligência Artificial (IA) na produção de filmes. Durante o painel “Who Owns the Future of Hollywood”, realizado no Aspen Festival of Ideas, ela citou “F1: O Filme”, estrelado por Brad Pitt, como um exemplo de obra que, em sua visão, transmite a sensação de ter sido desenvolvida por IA.
A conversa aconteceu durante um debate conduzido por Michael Lynton, ex-CEO da Sony Pictures, que entrevistou a atriz sobre os impactos das novas tecnologias no cinema. O encontro foi acompanhado pela revista Variety.
“Não digo isso de forma depreciativa — como poderia? Esse filme acabou arrecadando milhões de dólares. Mas olho para um filme como ‘F1’ e penso: ‘F1’ foi feito por IA”, apontou a atriz. “Quer dizer, a estrutura era exatamente aquela que se aprende na escola. Os atores dizem as falas exatamente da maneira como seriam escritas se um computador estivesse redigindo o que fosse mais adequado para aquele momento.”
A produção acompanha uma história fictícia ambientada no universo da Fórmula 1. Na trama, Sonny Hayes, personagem vivido por Brad Pitt, era considerado uma das maiores promessas da categoria na década de 1990, mas teve sua carreira interrompida após um revés. Três décadas depois, ele trabalha como piloto contratado até receber o convite de seu antigo companheiro de equipe, Ruben Cervantes, interpretado por Javier Bardem, para ajudar uma escuderia que enfrenta sérias dificuldades e corre o risco de desaparecer.
O longa alcançou arrecadação de US$ 634 milhões em bilheteria mundial, recebeu quatro indicações ao Oscar, entre elas a de Melhor Filme, e conquistou a estatueta na categoria de Melhor Som.
Ao longo do festival, diversos debates discutiram o avanço da Inteligência Artificial e suas consequências para diferentes setores. Questionada por Lynton sobre os efeitos da tecnologia na indústria cinematográfica, Foster afirmou: “A IA é mais um grande passo rumo à transformação da indústria”, após relembrar as mudanças provocadas pela computação gráfica (CGI) e pela evolução das tecnologias digitais no cinema.
A atriz também chamou atenção para o impacto da IA sobre o mercado de trabalho. “Nós já substituímos pessoas”, respondeu Foster, ao explicar que estúdios utilizam recursos tecnológicos para replicar figurantes em cenas de multidão e reduzir custos. “Estamos eliminando muitos empregos e, com sorte, entidades como os sindicatos poderão intervir e dizer: ‘Você pode usar meu ator 20 vezes, mas vai pagá-lo 20 vezes’. E acho isso justo”, defendeu a atriz.
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