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Mesmo após condenação, Le Pen segue na liderança das pesquisas para a eleição de 2027

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Mesmo após a Justiça francesa confirmar sua condenação por desvio de recursos da União Europeia, a líder da ultradireita, Marine Le Pen, continua aparecendo como principal favorita na disputa pela Presidência da França em 2027. É o que indicam duas pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta semana.

Os levantamentos destacam que o cenário ainda pode mudar até o primeiro turno, previsto para 18 de abril do próximo ano. Os institutos ressaltam que os números representam apenas um retrato do momento, e não uma previsão do resultado da eleição.

As pesquisas, realizadas pelo Ifop para a LCI e o Le Figaro e pela Toluna Harris Interactive para a M6 e a RTL, mostram Le Pen na liderança da corrida eleitoral no primeiro turno e também à frente nas simulações para o segundo turno, marcado para 2 de maio.

Os levantamentos foram conduzidos após a dirigente da Reunião Nacional anunciar oficialmente sua candidatura, poucos dias depois de o tribunal de apelação manter sua condenação por utilizar recursos da União Europeia para remunerar funcionários do partido. Apesar da decisão, a Justiça reduziu o período de inelegibilidade, permitindo que ela dispute a eleição.

Segundo o Ifop, Le Pen registra 36% das intenções de voto no primeiro turno, resultado superior aos índices entre 32% e 34% obtidos pelo mesmo instituto em pesquisas anteriores. Nenhum dos demais concorrentes alcança mais de 19%. A sondagem da Harris Interactive apresenta um cenário semelhante.

Nas projeções para o segundo turno, ambos os institutos indicam vantagem para Le Pen. O confronto mais equilibrado seria contra o ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, representante do campo de centro-direita, que aparece com 49% na pesquisa da Harris Interactive, percentual considerado dentro da margem de erro.

Já em uma eventual disputa contra Gabriel Attal, também ex-primeiro-ministro durante o governo de Emmanuel Macron, Le Pen manteria vantagem, enquanto Jean-Luc Mélenchon, da esquerda, seria derrotado com cerca de um terço dos votos.

Após a divulgação dos levantamentos, o líder do Partido Socialista, Olivier Faure, classificou Le Pen como uma “candidata formidável”. Integrantes da legenda e de outras siglas continuam criticando sua participação na eleição, afirmando ser vergonhoso que ela possa concorrer mesmo após a condenação. Le Pen recorreu da decisão, e a Cour de Cassation informou que pretende emitir uma decisão definitiva antes da realização da eleição.

Durante o lançamento oficial de sua campanha presidencial, na quarta-feira, Le Pen recebeu manifestações favoráveis e contrárias. Em visita ao mercado de rua de La Flèche, no Vale do Loire, ouviu gritos de “Devolva o dinheiro!” e “Vá para a prisão!”, enquanto apoiadores respondiam com “Marine, presidente!”, evidenciando o clima de polarização em torno de sua candidatura.

Outro levantamento, divulgado pelo instituto Elabe para a BFM TV, mostra que a candidata ainda enfrenta obstáculos na opinião pública. De acordo com a pesquisa, sete em cada dez eleitores não acreditam em sua versão de que é inocente. Entre os próprios simpatizantes da Reunião Nacional, embora a maioria apoie sua candidatura, 32% afirmam não concordar com a decisão de disputar a Presidência.

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