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Milei visita o Brasil em tour para impulsionar a direita na América Latina

Com apoio a Flávio Bolsonaro, presidente argentino inicia agenda regional para fortalecer alianças da direita latino-americana

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A participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção que oficializará a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República marca um movimento incomum na política brasileira. A presença do chefe de Estado argentino, prevista para esta sexta-feira (24), é vista pela campanha como uma oportunidade para fortalecer a candidatura do senador e ampliar sua projeção em meio às disputas internas do campo conservador.

A expectativa dos aliados de Flávio Bolsonaro é que o apoio de uma liderança estrangeira com forte identificação junto ao eleitorado de direita contribua para unificar setores do espectro político conservador. A participação de Milei em um evento partidário brasileiro representa um gesto raro de respaldo internacional durante o lançamento oficial de uma candidatura presidencial no país.

“A presença de Milei na convenção ajuda a energizar e mobilizar a base mais ideológica do partido”, disse à agência de notícias Reuters o chefe da consultoria de risco político Eurasia Group para o Brasil, Silvio Cascione.

Segundo Cascione, a visita ocorre em um momento em que candidatos de direita têm acumulado vitórias eleitorais em diferentes países da América Latina, como Colômbia, Peru e Chile, fortalecendo um cenário regional favorável a esse grupo político.

Depois da passagem pelo Brasil, Milei seguirá uma agenda por outros países da região. O presidente argentino participará, em 28 de julho, da cerimônia de posse de Keiko Fujimori no Peru. Em seguida, viajará ao Equador para reuniões com o presidente Daniel Noboa e, posteriormente, estará na Colômbia para acompanhar a posse de Abelardo de la Espriella, marcada para 7 de agosto. Durante sua permanência em território brasileiro, não está prevista qualquer reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Desde sua eleição, em 2023, Milei passou a ser apontado como uma das principais referências de uma sequência de vitórias da direita latino-americana. Entre os nomes eleitos nos últimos meses estão Keiko Fujimori, no Peru, em julho de 2026; Abelardo de la Espriella, na Colômbia, em junho de 2026; José Antônio Kast, no Chile, em dezembro de 2025; e Rodrigo Paz, na Bolívia, em outubro de 2025.

Em relatório divulgado nesta semana, o JPMorgan avaliou que o avanço dessas candidaturas está relacionado, principalmente, ao aumento das preocupações da população com a segurança pública e com o desempenho das economias da região. De acordo com o banco, esse contexto favorece conservadores e ultraconservadores que defendem uma agenda baseada em “ordem em primeiro lugar, mercados em segundo e uma relação mais próxima com Washington”.

No Brasil, Flávio Bolsonaro tem apresentado propostas alinhadas a parte desse discurso. Entre elas estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a ampliação do sistema prisional por meio da construção de novas unidades de segurança máxima, iniciativa inspirada no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Na área econômica, o senador afirma que pretende implementar redução de impostos e ampliar o programa de privatizações, com o objetivo de diminuir o tamanho do Estado. Também tem direcionado críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em relação ao aumento dos preços dos alimentos, tema que impactou os índices de popularidade do atual governo.

Após receber, em dezembro, o apoio público de seu pai para disputar a Presidência — movimento que deixou em segundo plano o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas —, Flávio Bolsonaro procurou apresentar uma imagem de maior moderação.

“Eu me considero, verdadeiramente, um Bolsonaro mais ao centro”, disse ele à Reuters em uma entrevista em seu gabinete em Brasília, em dezembro.

Nos últimos meses, o senador também realizou viagens à Europa, ao Oriente Médio e aos Estados Unidos. Em Washington, manteve encontros com o presidente Donald Trump e com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ocasião em que defendeu o fortalecimento de uma aliança internacional entre lideranças conservadoras.

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