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Senadores americanos acusam governo Trump de conspiração envolvendo eleições no Brasil

Democratas do Senado dos EUA criticam ação do governo Trump após reportagem apontar tentativa de desacreditar o sistema eleitoral brasileiro

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A repercussão sobre a negativa de vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos ganhou novos desdobramentos após parlamentares democratas da Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano criticarem publicamente a condução do governo de Donald Trump em relação ao Brasil. Em publicação feita na rede social X, na segunda-feira (27), o grupo compartilhou uma reportagem do jornal americano The Washington Post e acusou a administração republicana de atuar em uma conspiração ligada ao processo eleitoral brasileiro.

Na mensagem divulgada pelos senadores, foi reproduzida a seguinte declaração: “Propagar teorias da conspiração eleitoral não torna os Estados Unidos mais seguros. Pelo contrário, mina a confiança na nossa democracia interna e afasta os nossos aliados no exterior”.

A publicação faz referência a uma reportagem do The Washington Post que relata a recusa do governo brasileiro em conceder vistos ao secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e ao subsecretário-assistente Samuel Samson. Conforme o jornal, ambos planejavam desembarcar no Brasil com a intenção de preparar um ataque à confiabilidade das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral.

Os dois integrantes do Departamento de Estado estão subordinados ao secretário de Estado Marco Rubio, apontado pela reportagem como um dos principais aliados da família Bolsonaro em Washington.

Segundo o veículo americano, a viagem estava prevista para ocorrer semanas antes do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro. Embora a programação em Brasília não tenha sido divulgada, os pedidos de visto despertaram preocupação entre autoridades brasileiras, que passaram a considerar a possibilidade de uma iniciativa relacionada ao processo eleitoral.

Em resposta ao The Washington Post, o Departamento de Estado confirmou que Barnes e Samson pretendiam viajar para a capital federal na semana seguinte, mas não informou qual seria a finalidade da visita. O jornal também informou que tentou contato com os dois funcionários, porém não recebeu retorno.

Nos bastidores do Judiciário, ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos de forma reservada, classificaram como uma “ousadia” a possibilidade de representantes de outro país questionarem a integridade das eleições brasileiras.

As mesmas fontes ressaltaram, entretanto, que a presença de observadores internacionais durante eleições é uma prática recorrente e voltada ao intercâmbio de experiências, ao aprendizado e ao conhecimento do modelo brasileiro de votação.

Em nota oficial, o TSE informou que sua área internacional foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar da visita de integrantes do governo norte-americano. No entanto, o tribunal afirmou que não recebeu informações sobre o tema da agenda e explicou que o encontro não chegou a ser marcado em razão do recesso do Judiciário.

Além da manifestação inicial, os senadores democratas divulgaram nas redes sociais um trecho da reportagem do The Washington Post. A publicação reproduz a seguinte declaração: “Costumávamos usar o poder em situações perigosas para a democracia”, disse o alto funcionário do Departamento de Estado. “Agora enviamos indicados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país.”

A ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos é formada pelos senadores Jeanne Shaheen, Chris Coons, Chris Murphy, Tim Kaine, Jeff Merkley, Cory Booker, Brian Schatz, Chris Van Hollen, Tammy Duckworth e Jacky Rosen.

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