7/03/2026 12:12:00 PM
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Quase toda a cúpula administrativa do estado de La Guaira morreu em consequência do forte terremoto que atingiu a Venezuela, informou a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, durante uma coletiva de imprensa realizada na noite desta quinta-feira (4).
Ao comentar os impactos da tragédia sobre a estrutura do governo estadual, Delcy lamentou as perdas entre servidores públicos e integrantes das forças de segurança.
“…nós também perdemos funcionários e o trágico é que no estado de La Guaira quase todos os diretores da governadoria faleceram, funcionários de segurança de La Guaira faleceram, funcionários da prefeitura faleceram e os que ficaram vivos estavam ali ajudando no resgate, funcionários militares faleceram…”, disse Delcy.
A presidente interina também confirmou que o país decretou luto oficial, mas ressaltou que as operações de emergência ainda continuam.
“Declaramos um período de luto nacional, mas ainda não concluímos a fase de busca e resgate”, concluiu.
Além do elevado número de vítimas, os terremotos provocaram o colapso de edifícios, destruíram centenas de residências e deixaram um cenário de devastação em Caracas e em municípios vizinhos. Os abalos foram os mais intensos registrados na Venezuela em mais de cem anos.
Entre as regiões mais afetadas está La Guaira, estado localizado na faixa centro-norte do país, às margens do Mar do Caribe, ao norte da capital venezuelana. A região abriga o principal porto da Venezuela e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, além de concentrar cerca de 486 mil habitantes.
De acordo com o balanço mais recente divulgado pelo governo, o número de mortos chegou a 2.595. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 26 mil pessoas foram atingidas pela tragédia, das quais 12.841 precisaram abandonar suas casas devido aos danos causados pelos tremores.
Também nesta quinta-feira, Delcy Rodríguez informou que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial ofereceram apoio financeiro e linhas de crédito para contribuir com a recuperação das áreas destruídas.
Segundo ela, o governo criará, em parceria com o FMI, um fundo de US$ 200 milhões destinado à reconstrução de moradias destruídas. Os recursos serão repassados a empresas responsáveis pelas obras.
Buscas por sobreviventes seguem em andamento
As equipes de resgate venezuelanas continuam atuando nas áreas devastadas em busca de pessoas que ainda possam estar sob os escombros. A operação conta com o reforço de profissionais especializados enviados por 31 países, incluindo o Brasil, que disponibilizou bombeiros e equipes treinadas para auxiliar nos trabalhos.Com a limitação de equipamentos e de efetivo, moradores também passaram a participar das buscas de forma voluntária, removendo destroços manualmente.
Especialistas em resposta a desastres destacam que as primeiras 48 a 72 horas após um terremoto representam o período mais importante para localizar sobreviventes. Após esse intervalo, as operações normalmente passam a priorizar a retirada de corpos.
Enquanto isso, a crise humanitária se intensifica. Milhares de pessoas permanecem desalojadas e enfrentam dificuldades para conseguir abrigo, alimentos e outros itens essenciais.
No estado de La Guaira, considerado o mais atingido pelos terremotos, há falta generalizada de alimentos e colapso dos serviços básicos, conforme informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
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