8/15/2026 11:57:00 AM
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A análise do telefone de Lindsay Clancy apresentada no julgamento trouxe novos elementos sobre o estado mental da ex-enfermeira obstétrica antes da morte dos três filhos, em janeiro de 2023. Registros digitais mostram que, nas semanas anteriores ao crime, ela procurou na internet informações relacionadas a psicose, alucinações, efeitos de medicamentos, depressão pós-parto e outros problemas de saúde mental.
Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (13) durante o julgamento. No fim de dezembro de 2022, Clancy realizou pesquisas sobre suicídio, transtorno bipolar e dificuldades para dormir. Em janeiro seguinte, as buscas passaram a incluir conteúdos sobre depressão pós-parto.
A defesa utiliza esse histórico para sustentar que a mulher, então com 36 anos, enfrentava um quadro psiquiátrico grave. Um psiquiatra forense que avaliou Clancy posteriormente apontou diagnóstico de transtorno bipolar e psicose pós-parto, condição incomum que pode provocar alterações significativas na percepção da realidade depois do nascimento de um bebê.
Outro elemento apresentado aos jurados foi um texto produzido por Clancy em outubro de 2022. No documento, ela refletia sobre a maternidade, manifestava insegurança em relação às próprias decisões e questionava tanto a interrupção da amamentação do filho mais novo, que tinha oito meses, quanto a possibilidade de o casal ter outro bebê.
O conteúdo também revela preocupação com a capacidade de dividir a atenção entre as três crianças. Os dois filhos mais velhos tinham 3 e 5 anos, e Clancy dizia temer não conseguir oferecer ao bebê o mesmo cuidado que havia dado aos irmãos. Ela também relatava estar sobrecarregada pela quantidade de informações sobre criação dos filhos que havia consumido nos anos anteriores.
A acusada admite a autoria das mortes, mas se declarou inocente das acusações de assassinato de Callan, Dawson e Cora. A estratégia da defesa não é contestar que as crianças morreram pelas mãos da mãe, mas argumentar que ela não tinha responsabilidade criminal devido à doença mental. Segundo os advogados, Clancy acreditava ouvir vozes que ordenavam que matasse os filhos e depois tirasse a própria vida.
As crianças foram encontradas no porão da residência da família, em Duxbury, cidade costeira localizada ao sul de Boston. Patrick Clancy, pai dos menores, foi quem as encontrou. Lindsay estava no quintal após cair de uma janela do segundo andar. A queda provocou uma lesão que a deixou paraplégica.
Mensagens trocadas pelo casal no próprio dia das mortes também foram examinadas no tribunal. As conversas mostram os dois tratando de tarefas cotidianas relacionadas à família. Em determinado momento, Patrick elogiou Lindsay por seu desempenho como mãe, e ela respondeu utilizando emojis.
O perito da Polícia Estadual de Massachusetts Tim Chiappini apresentou essas mensagens aos jurados. O julgamento vem recebendo ampla atenção pública, com presença de jornalistas e espectadores no tribunal e transmissão ao vivo.
A promotoria apresenta uma interpretação diferente para os acontecimentos. Os acusadores afirmam que houve planejamento e sustentam que Clancy criou uma oportunidade para ficar sozinha com os filhos ao pedir que Patrick saísse de casa em 24 de janeiro de 2023 para comprar comida e passar em uma farmácia. Na sequência, segundo a acusação, ela teria usado faixas elásticas de exercício para estrangular as três crianças.
A promotora Shanan Buckingham também pediu aos jurados que não transformassem o processo em uma discussão pública mais ampla sobre saúde mental feminina. Para a acusação, a existência de problemas psiquiátricos não elimina automaticamente a possibilidade de responsabilidade criminal.
A defesa, por outro lado, afirma que Clancy procurou ajuda repetidamente antes da tragédia. Conforme os advogados, ela passou por diferentes profissionais de saúde mental, utilizou medicamentos prescritos, procurou uma linha de atendimento para pessoas em crise, esteve em um pronto-socorro e tentou conseguir uma vaga em um programa de tratamento intensivo destinado a mulheres com problemas psiquiátricos relacionados ao período pós-parto. Ela também teria se internado voluntariamente durante alguns dias em uma clínica psiquiátrica.
Familiares e integrantes da defesa sustentam que a situação teria se agravado depois da combinação de medicamentos psiquiátricos prescritos, incluindo remédios que, segundo eles, poderiam representar dificuldades para pessoas com transtorno bipolar.
A promotoria contesta essa interpretação e procura mostrar aos jurados que Clancy teve acesso a diferentes formas de assistência médica. Os promotores afirmam ainda que ela deixou de seguir determinadas recomendações e interrompeu alguns medicamentos por iniciativa própria.
Profissionais que atenderam Clancy antes das mortes também prestaram depoimento. De acordo com os relatos apresentados no processo, nenhum deles afirmou ter recebido dela um plano específico para ferir a si mesma ou os filhos. As testemunhas também disseram não ter identificado sintomas claros de psicose ou mania durante os atendimentos, embora Clancy tenha relatado pensamentos suicidas.
O desfecho do julgamento poderá determinar consequências distintas. Uma eventual condenação por assassinato pode resultar em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Se o júri concluir que ela não deve ser considerada criminalmente responsável em razão de uma doença mental, Clancy poderá ser encaminhada para internação em uma instituição psiquiátrica estadual.
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