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Cantora Dolly Parton morre aos 80 anos

Artista americana teve uma carreira de quase seis décadas, com sucessos na música, cinema, televisão e projetos de impacto social

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Dolly Parton morreu aos 80 anos, segundo comunicado divulgado por sua família nas redes sociais. A artista americana deixa uma trajetória de quase seis décadas marcada por sucessos na música country, atuação no cinema, empreendedorismo e projetos filantrópicos que alcançaram milhões de pessoas.

A despedida será realizada de maneira reservada. Conforme a família, a cerimônia terá a presença apenas dos parentes mais próximos. “A pedido de Dolly, será realizada uma pequena cerimônia privada para a família imediata”, diz o comunicado. Admiradores e amigos foram convidados a prestar homenagens pelas redes sociais ou por meio do site oficial da cantora. A família também pediu que, no lugar de flores, sejam feitas contribuições para a Biblioteca da Imaginação de Dolly Parton.

A própria artista teria planejado a mensagem divulgada após sua morte. Segundo o sobrinho, que assumiu a função de chefe de segurança da família depois de mais de duas décadas em que o cargo foi exercido por seu pai, a publicação havia sido solicitada por Dolly antes de sua morte.

“Este anúncio em vídeo é algo que a Dolly me pediu antes que eu conseguisse realmente assimilar essa realidade futura: assumir como chefe de segurança por mais de duas décadas o cargo que foi ocupado pelo Larry, pai antes de mim”, citou o sobrinho e chefe de segurança da família da artista.

Em outro trecho da mensagem, ele relatou uma conversa com a cantora sobre os últimos momentos de sua vida. “Dolly me ligou e disse que queria descansar em uma linda cama de algodão, porque, depois de uma vida usando pesados strass, finalmente merecia estar confortável e descansar um pouco”, citou em outro trecho.

Parton construiu uma carreira que ultrapassou as fronteiras da música. Dona de uma imagem marcante, com cabelos loiros volumosos, roupas extravagantes e forte presença de palco, ela transformou histórias pessoais e experiências da vida cotidiana em canções que alcançaram públicos de diferentes gerações e países.

Entre suas composições mais conhecidas estão “Jolene”, “Coat of Many Colors” e “I Will Always Love You”. A última ganhou projeção mundial especialmente após a interpretação de Whitney Houston. Outras músicas de Parton também foram regravadas por artistas de estilos distintos, incluindo Beyoncé e The White Stripes.

A cantora estimava ter escrito milhares de canções durante a vida. Cerca de 3 mil letras teriam sido produzidas por ela, embora aproximadamente 450 tenham chegado a ser gravadas. O reconhecimento como compositora veio também das principais instituições da indústria musical: 25 de suas músicas chegaram ao topo das paradas country da Billboard, e ela integrou o Hall da Fama dos Compositores.

“Adoro escrever canções poéticas e cantar palavras floridas”, escreveu ela em “Dolly Parton, Contadora de Canções”. “Gosto de fazer você visualizar algo, então quero pintar um quadro. E adoro criar versos inteligentes, não apenas como uma compositora, mas como uma poetisa.”

A coleção de prêmios acumulada por Parton inclui 11 Grammys, entre eles uma homenagem pelo conjunto da obra. Seu primeiro Grammy veio em 1978, por “Here You Come Again”. Em 2007, recebeu o Prêmio Johnny Mercer, uma das principais distinções concedidas pelo Hall da Fama dos Compositores. Quinze anos depois, em 2022, entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll.

A carreira também se estendeu à televisão e ao cinema. Parton chegou às telas em 1980, em “Como Eliminar Seu Chefe”, contracenando com Jane Fonda e Lily Tomlin. A canção-tema do filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Composição.

Outra indicação à mesma categoria ocorreu em 2006, por “Travelin’ Thru”, composta para “Transamérica”. A filmografia da cantora ainda inclui produções como “A Melhor Casa Suspeita do Texas”, “Flores de Aço”, “Rhinestone - Um Brilho na Noite” e “Straight Talk”.

Mesmo sem conquistar o Oscar nas ocasiões em que foi indicada, Parton recebeu uma das honrarias especiais da Academia: o Prêmio Humanitário Jean Hersholt, destinado a personalidades do cinema reconhecidas por suas contribuições humanitárias.

Fora dos palcos, a cantora também criou um dos principais empreendimentos turísticos do Tennessee. O parque Dollywood se tornou uma atração popular no estado onde nasceu, consolidando outra frente de sua atuação empresarial.

A relação com a filantropia começou a ganhar uma dimensão ainda maior em 1995, quando Parton criou a Imagination Library em homenagem ao pai. O projeto foi concebido para estimular a leitura infantil por meio da distribuição de livros. A iniciativa começou no Condado de Sevier, no Tennessee, e posteriormente chegou a outras regiões dos Estados Unidos e a outros países.

Em 2023, o programa foi ampliado na Califórnia para que crianças com menos de cinco anos pudessem receber mensalmente um livro gratuitamente pelo correio. Ao longo de sua existência, a iniciativa distribuiu mais de 300 milhões de livros para crianças em diferentes partes do mundo.

A atuação social da cantora também envolveu bolsas de estudo, doações e apoio a comunidades atingidas por desastres naturais. Em 2019, seus esforços foram reconhecidos pelo diretor do FBI, Christopher Wray, que lhe concedeu o Prêmio de Liderança Comunitária do Diretor de 2018.

Na vida pessoal, Parton permaneceu casada durante quase seis décadas com Carl Dean, que morreu em 2025, aos 82 anos. O casal não teve filhos. A cantora já havia explicado em entrevistas que sua decisão esteve relacionada, entre outros fatores, à influência de sua criação, ao incentivo recebido da mãe para que se tornasse independente e à dedicação à carreira e às iniciativas filantrópicas.

Após a morte da artista, o presidente americano Donald Trump esteve entre as personalidades que publicaram homenagens. Outros nomes conhecidos também recorreram às redes sociais para lembrar a cantora e compositora.

Ao longo de sua trajetória, Parton conseguiu transformar uma origem marcada pela pobreza em uma história de projeção internacional. Sua influência alcançou a música, o cinema, a televisão, os negócios e a filantropia, enquanto suas composições continuaram sendo interpretadas por diferentes gerações de artistas.

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