8/16/2026 08:18:00 PM
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A permanência de milhares de marroquinos em Ceuta, território espanhol no norte da África, voltou a expor a dimensão da crise migratória na região. Neste domingo (16), centenas de recém-chegados se reuniram em uma praia frequentada da cidade para reivindicar o direito de solicitar proteção às autoridades espanholas.
Os manifestantes carregavam bandeiras da Espanha e cartazes com mensagens como “Não queremos voltar para Marrocos” e “Também somos humanos”. Durante o protesto, também foram ouvidos gritos de “Estamos cansados” e “Precisamos de uma solução”. A manifestação ocorreu enquanto os participantes permaneciam em condições precárias, aguardando uma definição sobre o futuro.
Entre os que continuam no enclave estão pessoas que chegaram durante a entrada em massa registrada duas semanas atrás. Segundo as estimativas apresentadas, entre 5.000 e 8.000 permaneceram em Ceuta depois que mais de 72 mil pessoas atravessaram a fronteira. A maior parte desse grupo retornou ao Marrocos voluntariamente nos dias seguintes.
Sem alternativas de acomodação suficientes, muitos dos que ficaram passaram a dormir na região da praia de El Trampolin e em áreas próximas. Alguns utilizavam as margens rochosas para lavar roupas ou pescar com equipamentos improvisados, enquanto aguardavam a possibilidade de deixar o território e chegar à Europa continental.
“Estamos dormindo perto do mar, com frio e mau cheiro. Estamos sofrendo muito”, disse Ayoub Elarroud, de Tetouan, Marrocos, acrescentando que a polícia estava impedindo os imigrantes de irem ao centro da cidade.
A situação também provocou preocupação entre profissionais de saúde. Enrique Roviralta, responsável pelo conselho médico local, afirmou em entrevista à rádio Onda Cero que as equipes disponíveis estavam exaustas. Ele também questionou a demora do governo central espanhol em ampliar a resposta à emergência.
De acordo com Roviralta, casos de diarreia infecciosa e sarna começaram a aparecer entre os imigrantes. O médico também relatou aumento de ferimentos associados à violência, incluindo fraturas no nariz e lesões provocadas por armas brancas.
A ministra da Saúde, Monica Garcia, contestou neste domingo a avaliação de que o sistema sanitário de Ceuta tenha entrado em colapso. Ela reconheceu, porém, que os serviços enfrentam uma situação de forte pressão.
“Associar a imigração a doenças é injusto e xenófobo”, disse ela a repórteres em Ceuta, acrescentando que havia um risco moderado de surtos epidêmicos para imigrantes e um risco baixo para residentes.
A permanência dos recém-chegados também enfrenta obstáculos políticos. O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, declarou durante a semana que aqueles que ingressaram irregularmente não poderão permanecer em Ceuta nem seguir para o território continental espanhol ou obter regularização, salvo situações excepcionais relacionadas a casos de extrema vulnerabilidade.
Relatos colhidos entre imigrantes marroquinos indicam que as dificuldades econômicas e as condições de emprego no país estão entre os principais motivos que os levaram a tentar chegar ao território espanhol. Segundo os entrevistados, muitos possuem qualificações profissionais elevadas, mas afirmam enfrentar perspectivas limitadas de trabalho em seu país de origem.
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