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EUA ameaçam Irã com isolamento econômico sem precedentes

Governo Trump eleva a pressão sobre Teerã e ameaça ampliar o isolamento econômico enquanto o impasse sobre o Estreito de Ormuz persiste

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As negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a se distanciar de uma possível solução diplomática, enquanto Washington sinaliza que pretende ampliar a pressão econômica sobre Teerã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que o país poderá enfrentar medidas de isolamento sem precedentes caso o conflito continue.

Em entrevista na quinta-feira ao canal de televisão conservador Newsmax, Bessent associou a estratégia americana à manutenção do bloqueio do Estreito de Ormuz, importante rota internacional para o transporte de combustíveis. “Será uma combinação de isolamento econômico como o mundo nunca viu”, declarou. Na mesma ocasião, acrescentou que “o contínuo bloqueio no Estreito de Ormuz impedirá que qualquer coisa entre ou saia dos portos iranianos”.

A declaração representa uma mudança significativa em relação ao discurso adotado pelo governo de Donald Trump poucos dias antes. Em 4 de agosto, Bessent havia indicado que um entendimento com Teerã poderia ser alcançado “hoje ou amanhã”, permitindo a retomada da circulação pela passagem marítima. Naquele momento, Trump também demonstrava confiança nas negociações. “Temos conversas muito boas”, afirmou o presidente, dizendo que os iranianos pretendiam chegar a um acordo.

A expectativa de uma solução ajudou a impulsionar os mercados financeiros americanos e contribuiu para a redução das cotações do petróleo. As negociações, porém, permaneceram paralisadas, e a perspectiva de um acordo perdeu força.

O impasse ocorre após uma tentativa anterior de estabelecer uma trégua. Em meados de junho, Washington e Teerã haviam firmado um acordo de paz preliminar, mas o entendimento foi rompido no começo de julho, quando novos ataques foram registrados entre os dois lados. Desde então, Trump tem encontrado dificuldades para conciliar as condições apresentadas pelo governo iraniano com as exigências americanas.

O Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa. Antes do início da guerra, aproximadamente 20% do petróleo mundial passava pela região. Atualmente, a circulação pela rota está interrompida na prática, e o Irã exige autorização para a passagem de embarcações. Teerã também pretende estabelecer cobranças pelo uso da via no futuro, proposta rejeitada por Washington.

Trump havia estabelecido como condições para um acordo a reabertura “completa e total” do estreito e o encerramento da ameaça nuclear iraniana. A questão nuclear, entretanto, parece ter perdido espaço na retórica mais recente do governo americano.

Em entrevista à Fox News na quinta-feira, o vice-presidente JD Vance afirmou que a prioridade imediata de Washington é preservar o abastecimento energético e os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. “O objetivo número um: manter o petróleo e o gás baratos para os americanos em todo o nosso país”, disse. Em seguida, acrescentou: “E depois, obviamente, o objetivo número dois é garantir que o Irã nunca obtenha uma arma nuclear”.

Bessent apresentou a estratégia americana como uma combinação de pressão financeira e restrições ao transporte marítimo. Ao explicar a possível política contra Teerã, citou Cuba e Venezuela como exemplos. “A Venezuela entrou em colapso imediatamente quando impusemos o bloqueio”, afirmou.

A mudança ocorre depois de Trump ter declarado, no começo de agosto, que um entendimento para liberar o Estreito de Ormuz estava próximo. Com a diplomacia sem avanços, a administração americana agora parece apostar que o agravamento das dificuldades econômicas poderá aumentar a disposição iraniana para fazer concessões.

O governo de Teerã, por sua vez, rejeita a estratégia de Washington. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, acusou os Estados Unidos de cometerem erros de avaliação relacionados a informações de inteligência. “Um exemplo: a guerra contra o Irã. Agora, um erro de cálculo ainda mais grave sobre o Estreito de Ormuz”, escreveu na quinta-feira no X.

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