8/14/2026 04:03:00 PM
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A confissão de Luigi Mangione em um processo federal nos Estados Unidos mudou o rumo de uma investigação que começou com o assassinato de Brian Thompson, executivo-chefe da área de seguros da UnitedHealth Group. Aos 28 anos, Mangione admitiu nesta sexta-feira (14) ter planejado e executado o ataque contra o executivo e se declarou culpado das acusações federais de perseguição com intenção de matá-lo.
Durante a audiência, o acusado relatou que passou a pesquisar informações sobre a conferência anual de investidores da UnitedHealthcare depois de enfrentar uma fratura na coluna e dificuldades relacionadas ao funcionamento do sistema de seguro de saúde. Segundo seu próprio relato, ele utilizou uma impressora 3D para produzir parte da arma e posteriormente viajou para Nova York com o objetivo de matar Thompson.
“Eu atirei no Sr. Thompson em Manhattan e ele morreu”, disse Mangione no tribunal nesta sexta-feira (14).
Thompson foi morto a tiros na manhã de 4 de dezembro de 2024, diante do hotel em que ocorria uma conferência de investidores. Na época, ele comandava a divisão de seguros da UnitedHealth Group. A esposa do executivo acompanhou a audiência desta sexta-feira da primeira fila, ao lado de outros familiares.
A admissão de culpa encerra a possibilidade de um julgamento federal sobre as acusações pelas quais Mangione se declarou culpado. A sentença está prevista para 11h, no horário local, em 18 de dezembro. A juíza Margaret Garnett advertiu que cada acusação poderia resultar em uma pena máxima de prisão perpétua.
A defesa, representada pela advogada Karen Friedman Agnifilo, informou que o acordo não envolveu uma negociação de delação premiada com os procuradores.
O caso federal já havia sofrido uma importante reviravolta em janeiro de 2026, quando Garnett retirou as acusações federais de homicídio e porte de arma por questões técnicas relacionadas à legislação. Com isso, deixou de existir a possibilidade de aplicação da pena de morte no processo federal. Ainda assim, as acusações de perseguição poderiam resultar em prisão perpétua sem direito à liberdade condicional.
Antes dessa mudança, Mangione havia negado as acusações federais apresentadas em Manhattan e também se declarado inocente das acusações formuladas pela Justiça de Nova York. O processo estadual inclui acusações de homicídio, porte ilegal de arma e falsificação.
A investigação ganhou enorme repercussão após a divulgação de imagens do ataque e da operação policial que levou cerca de cinco dias até a localização do suspeito na Pensilvânia. O episódio também provocou intensa discussão e grande exposição nas redes sociais.
No processo estadual, as acusações relacionadas a terrorismo foram posteriormente rejeitadas por um juiz, em setembro de 2025. O julgamento das demais acusações está previsto para começar em 8 de setembro, em Manhattan, sob condução do juiz Gregory Carro.
Caso seja condenado pelo homicídio em segundo grau no processo estadual, Mangione poderá receber uma pena que varia de 25 anos até prisão perpétua.
A confissão apresentada no processo federal também pode ter consequências sobre a ação estadual. A defesa poderá tentar utilizar a legislação de Nova York que impede que uma pessoa seja processada duas vezes pela mesma conduta para pedir a retirada da acusação de homicídio.
Os promotores de Manhattan, porém, devem contestar essa interpretação. A acusação estadual sustenta que o crime de homicídio possui natureza jurídica diferente das infrações federais admitidas por Mangione. Se a disputa chegar aos tribunais superiores, uma das partes poderá solicitar uma decisão de emergência durante a tramitação do recurso.
A sentença federal de Mangione permanece marcada para 18 de dezembro, enquanto o processo estadual segue seu próprio calendário judicial.
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