8/15/2026 04:11:00 PM
Tempo de leitura: ...

Centenas de agentes de segurança foram mobilizados no norte do Marrocos neste sábado (15), enquanto as autoridades tentavam impedir uma nova tentativa coletiva de entrada no enclave espanhol de Ceuta. Pelo menos 111 pessoas foram detidas na região de Fnideq, próxima à fronteira, em meio a alertas sobre convocações feitas pelas redes sociais para uma travessia em massa.
Segundo uma fonte do Ministério do Interior marroquino, entre os detidos estavam 109 migrantes procedentes da África Subsaariana e dois marroquinos. A operação ocorreu em um cenário de forte presença policial nas proximidades da fronteira com Ceuta, território espanhol situado no litoral norte-africano.
Grupos de migrantes haviam se concentrado em áreas montanhosas a aproximadamente três quilômetros da passagem fronteiriça. Conforme informações da agência espanhola EFE, as forças marroquinas recorreram a gás lacrimogêneo para dispersar os grupos. Posteriormente, foram observados centenas de policiais deixando as colinas nos arredores de Fnideq, alguns usando equipamentos de controle de distúrbios e outros vestidos à paisana.
A operação também afetou o trabalho da imprensa. A EFE e a televisão pública espanhola TVE informaram que jornalistas receberam ordem do Ministério do Interior do Marrocos para deixar Fnideq imediatamente. As autoridades não apresentaram uma justificativa pública para a determinação.
Do outro lado da fronteira, a segurança também foi ampliada. Em Ceuta, militares foram posicionados nas proximidades de supermercados, enquanto policiais reforçaram o patrulhamento das ruas. A movimentação, contudo, era considerada mais tranquila do que nos dias seguintes à tentativa de entrada registrada em 30 de julho.
Depois daquele episódio, o governo espanhol instalou uma barreira marítima e enviou mais de 500 agentes adicionais do território continental. Com isso, o efetivo de segurança em Ceuta ultrapassou 1.600 integrantes. O Ministério do Interior afirmou que a operação de reforço continuará enquanto for considerada necessária.
“Continuaremos a mobilizar todo o pessoal necessário para restaurar a normalidade o mais rápido possível e evitar que eventos como os de 30 de julho voltem a acontecer”, disse o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, na quinta-feira.
De acordo com o ministro, aproximadamente 5.000 migrantes continuavam em Ceuta. Centenas deles foram vistas em El Trampolin, onde utilizavam estruturas improvisadas de bambu para se proteger do calor intenso.
Grande-Marlaska afirmou ainda que os migrantes que entraram de forma irregular não poderão permanecer no enclave nem seguir para a Espanha continental ou receber autorização de permanência, salvo situações excepcionais envolvendo extrema vulnerabilidade. Nos demais casos, a previsão é de retorno ao Marrocos.
A tensão aumentou após as autoridades marroquinas identificarem mensagens divulgadas nas redes sociais que convocavam uma nova tentativa de travessia para o dia 15. Rabat declarou que acompanhava a circulação desse material e ameaçou responsabilizar judicialmente pessoas envolvidas na organização ou participação das ações.
O esquema de segurança foi ampliado para diferentes pontos do país. Policiais instalaram controles em estradas e utilizaram veículos equipados com escudos metálicos. Relatos da imprensa local também apontaram medidas semelhantes nas proximidades de Melilla, outro território espanhol localizado no norte da África.
As autoridades ainda impediram que grupos de migrantes viajassem para o norte por trem ou ônibus em cidades como Casablanca, Fez e Kenitra. Apesar disso, testemunhas relataram que alguns migrantes da África Subsaariana conseguiram contornar os bloqueios e seguir por caminhos nas montanhas rumo a Fnideq.
Uma testemunha afirmou que escolas da cidade foram adaptadas para receber integrantes das forças de segurança enviados à região fronteiriça.
Enquanto novas tentativas eram contidas, alguns dos migrantes que chegaram a Ceuta em 30 de julho permaneciam na região. Na sexta-feira, vários deles foram vistos pescando, nadando ou tomando banho na praia de Tarajal.
Driss Sadik, de 22 anos, natural de Fez, contou que passou cinco horas nadando para alcançar Ceuta. Depois da experiência, ele passou a desencorajar outros migrantes de tentar repetir o trajeto.
“O mais importante que eu aconselharia às pessoas que tentam cruzar: não cruzem agora, meus irmãos. Vocês só vão sofrer”, disse ele à Reuters.
Adil Jamil, de 17 anos, também fez um alerta semelhante aos demais. Para ele, a chegada ao enclave não representa necessariamente uma solução diante do número elevado de pessoas que tentam permanecer no território.
“Aqueles que entram não vão se beneficiar de nada. Haverá cada vez mais de nós, e eles não encontrarão uma solução para todos”, disse ele.
Jamil relatou que as travessias coletivas são articuladas pelos próprios participantes, que definem uma data, concentram-se em Fnideq e tentam avançar simultaneamente, apostando que o grande número de pessoas aumente as chances de sucesso.
“Se eu tivesse ficado com meus pais, teria morrido lentamente. Mas se eu arriscar minha vida, chegar e construir meu futuro… será melhor”, disse ele.
Comentários
Postar um comentário