8/05/2026 10:37:00 PM
Tempo de leitura: ...

A capacidade militar dos Estados Unidos voltou ao centro das discussões após novas informações apontarem que o país enfrenta uma redução significativa em seus estoques de mísseis de precisão. O cenário, segundo reportagens publicadas nesta semana, influenciou decisões da Casa Branca em relação à estratégia adotada no conflito contra o Irã e provocou um momento de tensão entre o presidente Donald Trump e o secretário de Guerra, Pete Hegseth.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post nesta quarta-feira (5), Trump repreendeu Hegseth durante uma reunião de gabinete realizada na sexta-feira (31). A publicação, baseada no relato de duas pessoas com conhecimento do encontro, afirma que o presidente demonstrou irritação ao descobrir que o arsenal norte-americano continuava em níveis considerados críticos.
Ainda conforme o jornal, Trump afirmou que foi levado a acreditar que a situação já havia sido solucionada e teria dito que foi enganado pelo secretário de Guerra. Durante a conversa, o presidente reclamou que acreditava que o problema “já tinha sido resolvido”.
As revelações surgem poucos dias depois de Trump declarar que autorizou e, posteriormente, cancelou “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial” contra o Irã. Segundo o presidente, a ofensiva foi interrompida porque ainda existia a possibilidade de novas negociações diplomáticas. O governo iraniano, por sua vez, rejeita essa versão e afirma que não mantém conversas com os Estados Unidos.
A reportagem do Washington Post também aponta que a escassez de mísseis guiados de longo alcance e de interceptadores destinados à defesa aérea pesou na decisão de não realizar novos bombardeios de grande escala contra o território iraniano.
Segundo o veículo, ao responder às críticas recebidas, Hegseth atribuiu a responsabilidade ao vice-secretário de Guerra, Stephen Feinberg, alegando que ele não havia informado corretamente o presidente sobre a real condição dos estoques militares.
O episódio evidencia, de acordo com a publicação, um aumento do desgaste entre Trump e Hegseth. O secretário foi um dos principais defensores da campanha militar contra o Irã e sustentava junto ao presidente que a operação teria curta duração e seria relativamente simples de conduzir.
Em resposta à reportagem, a Casa Branca rejeitou o conteúdo divulgado. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que “isso é 100% notícia falsa” e reforçou que Trump mantém “total confiança” em Hegseth. O Pentágono também contestou a versão apresentada pelo jornal, negando tanto que o secretário tenha enganado o presidente quanto que tenha responsabilizado seu vice pelos problemas relacionados ao arsenal.
Outro relatório, publicado pela agência Reuters na terça-feira (4), reforçou as preocupações sobre a capacidade militar norte-americana ao revelar que o Exército utilizou “praticamente todo” o estoque disponível de mísseis de precisão de longo alcance durante a guerra contra o Irã.
Segundo três pessoas com acesso às informações militares dos Estados Unidos, os armamentos mais afetados pela escassez são os Sistemas de Mísseis Táticos (ATACMS) e os Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM), ambos empregados em ataques de longa distância com elevada precisão.
Esses equipamentos ocupam posição estratégica no arsenal norte-americano por permitirem atingir alvos a grandes distâncias sem expor diretamente as tropas ao combate. Os ATACMS também tiveram participação relevante na guerra da Ucrânia, sendo utilizados para alcançar objetivos militares em território russo. Já o PrSM representa uma nova geração de mísseis, com alcance superior ao do ATACMS e desenvolvido para substituí-lo futuramente.
Duas das fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que os Estados Unidos empregaram “praticamente todos” esses armamentos no conflito. Apesar disso, não foram divulgados números sobre a quantidade de mísseis ainda disponível. A situação gera preocupação entre especialistas em defesa quanto ao nível de preparação das Forças Armadas dos EUA para enfrentar possíveis crises futuras.
Analistas destacam que tanto os ATACMS quanto os PrSM possuem alto custo de produção — superior a US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões) por unidade — e exigem tempo considerável para serem fabricados, além de serem considerados recursos importantes em um eventual cenário de confronto envolvendo a China.
Comentários
Postar um comentário