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Violência e desigualdade custam bilhões ao Brasil todos os anos, aponta estudo

Estudo estima perdas bilionárias causadas pela violência, exclusão profissional e discriminação no país

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A violência e a discriminação representam custos expressivos para a economia brasileira, afetando tanto as contas públicas quanto a capacidade de geração de renda e de trabalho. Dados reunidos pelo Instituto Ethos indicam que os efeitos da violência correspondem a 4,38% do Produto Interno Bruto (PIB), o que representa aproximadamente R$ 285 bilhões por ano.

Esse impacto inclui despesas relacionadas à segurança pública e privada, ao sistema prisional e à área da saúde, além das perdas econômicas provocadas pela redução da capacidade produtiva das pessoas atingidas pela violência.

Os homicídios de jovens estão entre os fatores que geram perdas de longo prazo. De acordo com o levantamento, cada jovem assassinado representa um custo estimado de R$ 550 mil para a economia, levando em consideração o potencial de produção e geração de renda que seria acumulado durante sua vida.

A violência também interfere diretamente na renda das mulheres. O estudo aponta que a violência contra elas está relacionada a uma queda de 4% a 6% nos rendimentos provenientes do trabalho. A ausência de suporte social amplia esse efeito e pode reduzir em até 7 pontos percentuais a participação feminina no mercado de trabalho, com consequências para a renda das famílias e para a diversidade dentro das empresas.

Outro componente identificado pelo levantamento é a discriminação contra a população LGBTQIAPN+ no mundo profissional. A exclusão desse grupo do mercado de trabalho é associada a uma perda anual estimada em R$ 94,4 bilhões para a economia brasileira. A menor inserção profissional também resulta em uma redução da arrecadação tributária, calculada em cerca de R$ 14,6 bilhões por ano.

Para Michael França, economista, pesquisador do Insper e conselheiro do Instituto Ethos, os efeitos ultrapassam os prejuízos financeiros imediatos e atingem o potencial de desenvolvimento do país.

“A violência e a discriminação corroem o capital humano do país. Quando vitimamos desproporcionalmente homens jovens negros de baixa escolaridade ou afastamos talentos por preconceito, estamos impondo um dano profundo, duradouro e mensurável ao potencial de desenvolvimento da nossa economia”, afirma o coautor da obra Michael França, economista, pesquisador do Insper e conselheiro do Instituto Ethos.

Os números mostram, assim, que violência e discriminação produzem efeitos econômicos que se estendem por diferentes áreas. Além dos recursos destinados ao enfrentamento desses problemas, o país também enfrenta perdas relacionadas à participação no mercado de trabalho, à arrecadação e ao potencial produtivo de parcelas da população.

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