9/01/2026 08:01:00 PM
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Uma explosão provocada por um carro-bomba deixou um morto e 11 feridos na noite desta segunda-feira (1º) em Los Patios, cidade colombiana situada na fronteira com a Venezuela. As autoridades atribuem o ataque ao Exército de Libertação Nacional (ELN), guerrilha que atua no país há mais de seis décadas.
A explosão ocorreu por volta da meia-noite, nas proximidades de uma delegacia de polícia. A vítima fatal foi identificada como um venezuelano de 23 anos. A informação foi confirmada pelo coronel Jimmy Belalcázar, comandante da polícia da região, em entrevista à rádio Caracol, na qual ele responsabilizou o ELN pelo atentado.
Dois policiais estão entre os feridos: um deles teve a perna esquerda mutilada, enquanto o segundo foi atingido por estilhaços decorrentes da explosão. Segundo a polícia, o veículo usado no ataque havia sido furtado e pintado para simular um táxi, e carregava aproximadamente 80 quilos de explosivos, detonados à distância.
De acordo com a agência AFP, moradores da região — alguns a pé, outros de motocicleta — se aglomeraram no local enquanto o carro ainda ardia em chamas. A área ficou tomada por vidros estilhaçados e destroços de muros atingidos pela explosão.
O atentado em Los Patios ocorreu no mesmo dia em que as Forças Armadas da Colômbia bombardearam um reduto guerrilheiro na região amazônica, ação que resultou na morte de 20 combatentes. Trata-se do terceiro bombardeio desse tipo realizado pelo Exército colombiano em menos de um mês.
A dupla ocorrência reflete o momento de tensão crescente no país desde a posse do presidente Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto. Alinhado à direita e com respaldo do governo norte-americano de Donald Trump, o novo mandatário tem promovido uma ofensiva declarada contra os grupos armados que atuam no território colombiano.
Após o bombardeio realizado nesta segunda-feira, De la Espriella declarou: “Onde os terroristas tentarem semear o medo, o Estado estará presente com toda a sua força”. Em publicação anterior na rede social X, o presidente já havia afirmado: “Vamos perseguir com mão de ferro aqueles que atentarem contra os colombianos, até capturá-los, desmantelar suas estruturas e devolver a tranquilidade às nossas comunidades”.
Segundo dados do governo, ao menos 38 guerrilheiros foram mortos nas primeiras semanas da nova administração. Entidades de direitos humanos, no entanto, denunciam que quatro menores de idade também morreram nesses ataques aéreos. Em resposta às operações militares, os grupos armados já sinalizaram que devem revidar.
O cenário de violência tem se intensificado num contexto já marcado por instabilidade política e criminal no país. O período eleitoral recente foi marcado por atentados a bomba, ataques com drones explosivos e ofensivas contra integrantes das forças de segurança.
Maior produtora mundial de cocaína, a Colômbia vive há mais de 50 anos um conflito armado sustentado, em grande parte, pelo narcotráfico. Nos últimos anos, guerrilhas e organizações criminosas do país diversificaram suas fontes de financiamento, recorrendo também à mineração ilegal e a outras atividades ilícitas.
O ELN chegou a manter negociações de paz com o governo do ex-presidente de esquerda Gustavo Petro, mas as tratativas não avançaram para um acordo definitivo. Além do ELN, o governo de De la Espriella também enfrenta a resistência de dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que não aderiram ao acordo de paz assinado em 2016.
Uma dessas facções, o Estado-Maior Central (EMC), é responsável pelo sequestro, ocorrido em 6 de agosto, de um cidadão colombiano que serve na Legião Estrangeira do Exército francês. Em nota divulgada no último fim de semana, o grupo afirmou que o refém segue vivo, mas atribuiu ao presidente colombiano a responsabilidade por “qualquer tentativa de operação militar de resgate que coloque em risco” sua segurança.
Como parte da nova postura adotada pelo governo, a Colômbia passou a integrar o Escudo das Américas, aliança de países liderada pelos Estados Unidos voltada ao combate ao narcotráfico na região.
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