9/10/2026 07:11:00 PM
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A defesa de Cilia Flores, esposa do presidente venezuelano Nicolás Maduro, apresentou nesta quarta-feira (9) um pedido formal à Justiça de Nova York para que ela cumpra prisão domiciliar em razão de um quadro de saúde que inclui complicações cardíacas. Flores está sob custódia norte-americana desde janeiro, quando foi presa junto com o marido.
Segundo a petição, protocolada pelos advogados Mark E. Donnelly e Andres Sanchez, a solicitação prevê que Flores seja transferida para uma residência particular, onde permaneceria sob vigilância armada ininterrupta, monitoramento por GPS, restrições de visitas e interceptação telefônica. O pedido, conforme os defensores informaram, já havia sido discutido previamente com representantes do governo dos Estados Unidos, que manifestaram oposição à medida.
De acordo com o documento, a deterioração da saúde de Flores teria começado após a ação militar norte-americana em Caracas. Os advogados sustentam que ela era, até então, uma pessoa saudável e sem necessidade de medicação contínua, situação que mudou drasticamente: atualmente, ela faz uso de quatro medicamentos distintos. O episódio mais grave teria ocorrido em 29 de julho, quando Flores apresentou fortes dores no peito ao longo de meia hora — quadro que, segundo consultas feitas pela defesa com médicos externos, pode ter sido um infarto de intensidade leve.
Os advogados também alertam para a ausência de exames complementares que permitam avaliar com precisão eventuais sequelas cardíacas. "Sem um ecocardiograma adicional para comparar sua função cardíaca com a de seus exames anteriores, não está claro a extensão de qualquer dano coronário que ela possa ter sofrido", registraram na petição, defendendo a necessidade de ao menos um procedimento invasivo, como um cateterismo.
Na avaliação da defesa, é nesse contexto que se justificaria a concessão da prisão domiciliar. "Cilia Adela Flores de Maduro é a primeira-dama da República Bolivariana da Venezuela e merece a oportunidade de aguardar o julgamento em prisão domiciliar enquanto se recupera da cirurgia cardíaca invasiva", diz o texto apresentado ao juiz federal Alvin K. Hellerstein.
O documento detalha ainda a rotina da detenta no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC), descrevendo uma redução nas palpitações cardíacas, mas persistência de sintomas como fraqueza, episódios ocasionais de taquicardia, falta de ar, dores no peito e tontura. Flores teria emagrecido mais de 11 quilos desde que foi presa e, apesar de tentar retomar alguma atividade física, enfrentaria dificuldades para se recuperar plenamente dentro da unidade prisional. Segundo os advogados, mesmo com o apoio da equipe do MDC, o ambiente carcerário não seria adequado a esse processo de recuperação.
A petição relata também o impacto emocional da rotina compartilhada com outras dezenas de detentas. "Cada vez que um desses episódios ocorreu, ela tentou manter uma certa aparência de calma, mesmo estando entre mais de 40 outras detentas que realizam sua rotina diária com diferentes níveis de ruído, agitação e distúrbios ocasionais", afirma o texto, que menciona ainda que Flores dorme apenas três a quatro horas por dia e "não consegue encontrar nenhum momento durante o dia para descansar e se recuperar".
Além dos argumentos médicos, a defesa recorreu a teses de imunidade internacional, estratégia semelhante à adotada dias antes pelos advogados de Maduro, que pediram o arquivamento das acusações contra o presidente venezuelano. O documento chega a afirmar que Flores foi "sequestrada" e que sofreu ferimentos nas mãos de seus captores durante a operação que resultou em sua prisão.
Os advogados argumentam ainda que Flores não tem antecedentes criminais e que nada nas acusações indica que ela representaria risco à comunidade nos Estados Unidos. Quanto à possibilidade de fuga, a defesa alega que ela está "comprometida" em acompanhar até o fim tanto o próprio processo quanto o do marido, mantendo-se ao lado dele.
Cilia Flores e Nicolás Maduro respondem a acusações de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção, tendo se declarado inocentes das acusações. O caso segue em fase pré-julgamento, com o início do julgamento previsto para 1º de junho de 2027. Antes disso, está marcada para 17 de novembro uma audiência em que as partes apresentarão argumentos ao juiz Hellerstein sobre os pedidos de arquivamento do processo.
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