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Trump diz que acompanha eleição no Brasil, mas evita declarar apoio a Flávio Bolsonaro

Trump afirma que monitora o pleito brasileiro, evita apoiar Flávio Bolsonaro e enfrenta críticas de parlamentares dos EUA

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A proximidade das eleições brasileiras levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a voltar a comentar o processo eleitoral do país. Nesta sexta-feira (2), o republicano afirmou que acompanha atentamente a disputa marcada para domingo (4), mas evitou declarar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Questionado por jornalistas sobre a candidatura do senador, Trump limitou-se a destacar que Washington observa o cenário brasileiro. “Estamos de olho em tudo e vamos observar esta eleição de muito perto”, afirmou.

A declaração ocorreu quando o presidente norte-americano deixava a Casa Branca para embarcar no avião presidencial. Ele não apresentou outros detalhes sobre sua posição em relação aos candidatos brasileiros.

Um dia antes, diante de uma pergunta semelhante, Trump também havia evitado manifestar preferência por um nome na disputa. Na ocasião, ressaltou a relevância do Brasil e do processo eleitoral. “O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, declarou ontem.

A cautela em relação ao pleito brasileiro contrasta com manifestações recentes do republicano sobre disputas políticas em outros países latino-americanos. Durante a eleição colombiana, por exemplo, Trump declarou publicamente apoio a Abelardo de la Espriella, que posteriormente assumiu a Presidência da Colômbia.

As declarações sobre o Brasil ocorrem em meio a questionamentos de integrantes do Congresso dos Estados Unidos sobre a atuação da Casa Branca. Na semana passada, congressistas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo Trump de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro.

Nesta semana, senadores norte-americanos encaminharam outro documento a Rubio. Além de solicitarem garantias de que Washington reconhecerá o resultado das urnas, eles manifestaram “preocupação com ações do governo (dos EUA) que ameaçam nossa aliança estratégica com o Brasil”.

Os parlamentares também reiteraram as acusações de interferência. “Ao longo do segundo mandato do Presidente Trump, observamos autoridades dos EUA envolvidas em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil”, diz o documento.

Entre os episódios citados pelos senadores está a escolha de Darren Beattie, identificado como político de extrema direita e crítico do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para atuar como assessor sênior no Departamento de Estado em assuntos relacionados ao Brasil. O documento menciona ainda a adoção de tarifas adicionais depois de uma investigação que, segundo relatos citados pelos parlamentares, teria sido iniciada por determinação de Trump.

Diante desse ambiente de tensão, autoridades brasileiras adotaram medidas para reduzir possíveis impactos de ações externas sobre o processo eleitoral. Segundo reportagem do jornal norte-americano The New York Times, baseada em fontes de Brasília, o governo brasileiro estruturou uma espécie de proteção contra eventuais iniciativas de interferência atribuídas à administração Trump.

As ações mencionadas incluem a aproximação com países europeus e asiáticos, o acompanhamento da atuação de grupos estrangeiros no Brasil e iniciativas destinadas a enfrentar informações falsas relacionadas a supostas fraudes no sistema eleitoral.

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